O crescimento do transporte ferroviário de cargas no Porto de Santos levou a Portofer, empresa responsável pelo serviço de trens no cais, a registrar dois recordes no mês passado. No último dia 27, foram descarregados um total de 609 vagões, 61 a mais do que a marca anterior. A companhia também comemora a movimentação histórica de 1,32 milhão de toneladas no mês.
Os dados foram divulgados ontem pela Unidade de Produção de Santos da América Latina Logística (ALL), grupo que controla a Portofer.
A expectativa da cúpula da ALL era que os recordes operacionais fossem atingidos somente nos próximos meses, com o início do transporte da safra de açúcar para o porto, por onde é exportada. Mas os volumes inéditos foram obtidos já com os carregamentos do complexo de soja (farelo, óleo e grãos). ‘‘Esse ano a demanda foi altíssima, mas só de grão. Sem o açúcar, já conseguimos quebrar o recorde. Quando chegar o açúcar, esperamos bater nos 750 vagões por dia’’, disse em entrevista por telefone a A Tribuna, na noite de ontem, o gerente da unidade de produção da ALL em Santos, Felipe Figueiredo.
Anteriormente, a movimentação máxima de carga em um único mês havia sido de 1,18 milhão de toneladas.
Segundo Figueiredo, estes resultados são explicados por uma ‘‘combinação de fatores’’. ‘‘Em 2008, serão R$ 9 milhões de investimentos nas linhas de chegada e também nas que operam dentro do porto. Obviamente, também contribuiu o investimento de alguns clientes nossos em capacidade de descarga, que, com isso, aumentaram a produtividade e a demanda por transporte’’.
Figueiredo destacou ainda os recursos aplicados na compra de vagões, o melhor planejamento de circulação e o fechamento de contratos maiores. ‘‘Sem essa demanda, o planejamento não serviria de nada’’.
GARGALOS
Questionado se os números estimulariam novos investimentos no cais santista, Figueiredo disse que a empresa tem essa pretensão, mas criticou a demora de alguns terminais para descarregar a carga.
‘‘O que a gente vê hoje, ainda, é que a rede de ferrovias consegue colocar um número grande de vagões dentro do porto e estes, em alguns momentos, ficam parados porque os terminais não têm uma produtividade tão boa assim. Na Margem Esquerda (Guarujá), nós conseguimos descarregar e devolver os vagões em uma velocidade maior. Mas na Margem Direita (Santos), ainda temos uma ineficiência muito grande de alguns terminais. Para investirmos e realmente trazermos vagões com força para o porto, precisamos ter uma garantia de que esses vagões serão descarregados rapidamente’’.
No transporte ferroviário, as grandes dificuldades encontradas atualmente são ‘‘colocar vagões no porto e conseguir descarregá-los’’, afirmou o gerente. Segundo ele, entretanto, a empresa deve conhecer o limite do sistema em breve. ‘‘Quando chegar o açúcar, vamos efetivamente chegar nesse limite. Só que, se passarmos do patamar que pretendemos (750 vagões por dia), os terminais não estarão aptos a descarregar’’.
Uma solução apontada para o problema de armazenamento de grãos é o aprofundamento do estuário santista. ‘‘Se o porto investir em um calado maior, seria possível que navios maiores atracassem aqui e esvaziassem esses armazéns mais rapidamente’’.
Atualmente, os principais produtos descarregados no Porto de Santos pela ALL são soja, farelo de soja, açúcar, milho, óleo vegetal, contêineres, calcário e lingote de alumínio. Destes, o complexo de soja representa 65% da operação. O açúcar fica com 30% e o restante soma 5%. A empresa conta com 1.000 funcionários, entre empregados e terceirizados, em todo o processo de transporte de cargas das regiões produtoras até o Porto de Santos.
terça-feira, 27 de maio de 2008
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