Por Carlos Moura
Uns dizem que é fato, outros que é uma piada, mas a o relato é o seguinte: consta que certo dia, Getúlio, no auge do poder, passeava pela avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, junto com alguns “aspones”, quando um deles, ao ver um guri na calçada, protagonizou este diálogo:
“Guri, vem cá! Tu sabes quem é esta pessoa (indicando Getúlio)?” Resposta: “Sei sim! É Getúlio Vargas, o imortal!”, e logo tivemos “Por que imortal?” e o “grand finale”: “Porque meu pai todo dia, quando abre a loja fala: ‘Tudo mundo morre, menos o filho da p.... do Getúlio!’” Pano rápido...
A cada dia, fico mais convicto que nem Getúlio imaginava quão duradoura seria sua imortalidade, quando, entre outras coisas, criou a estrutura de controle pelo Estado das relações “capital e trabalho”.
Exemplos: a transferência de recursos da contribuição sindical para as centrais sindicais sem nenhum controle pelo TCU ou outra entidade independente; o controle quase total do Ministério do Trabalho por um partido e sua controvertida central; o apoio paternal do BNDES à fusão – ainda ilegal – de empresas de telefonia; o desejo de salvar empresa do setor de eletrônicos a qualquer custo; dirigentes de agências reguladoras oriundos do sindicalismo e sem capacidade para ocupar tais cargos, fazendo declarações estapafúrdias; as operações nebulosas com os recursos do FAT e muitos outros casos.
Todos sustentados com o nosso dinheiro.
Há planos, também, para um avanço nos recursos do Sistema S.
Quando os seletos convidados da festa são questionados, a resposta pouca varia, ficando quase sempre na “perseguição política”.
Isso tudo me vem à mente quando os atuais candidatos à imortalidade apresentam planos para novos tributos, a ressurreição de outros ou a geração de “fundo soberano” num país que tem gastos públicos ineficientes e crescentes, contando quase só com a política monetária para controlar a inflação.
O pior de tudo está mostrado no estudo do Ipea, informando que rico no Brasil é quem ganha mais de R$ 4.000 por mês e que – via impostos indiretos – os mais pobres pagam a maior carga tributária.
Precisamos agir para haver menos dinheiro nas mãos dos governos.
terça-feira, 27 de maio de 2008
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