sexta-feira, 6 de junho de 2008

Até parece que o mundo não mudou

por Maurício Moura, da Redação

Nem Barack Obama, nem Hilary Clinton e muito menos o nobre presidente George W. Bush. O grande nome do momento nos Estados Unidos é o Indiana Jones, retornando depois de praticamente 20 anos fora das telas. E, vale lembrar, que, antes, já reapareceram nas telonas Superman, Rocky Balboa e Rambo (com alguns quilos e plásticas a mais, é verdade, mas com a mesma quantidade de neurônios).

Os mais simplistas diriam que nada mudou na Humanidade ligada em Hollywood e seus personagens tradicionais. Afinal, Clark Kent continua com o mesmo jeito perdido, Stallone segue apanhando e chorando nos filmes e Harrison Ford ainda abriga o mesmo carisma e o chapéu dos velhos tempos. Os economistas da era digital certamente discordam.

Somente no final de semana de estréia do filme, aqui nos Estados Unidos, Indiana Jones IV faturou US$ 125 milhões de dólares nos cinemas. Parece muito? Nesse mundo da economia digital, certamente não.

Antigamente, os filmes faturavam nas bilheterias, na venda para exibição na TV, no aluguel e na venda de fitas de videocassete, e cobravam muito por isso. Uma fita do “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” chegou a custar, em valores de hoje, US$ 180. Grandes sucessos de bilheteria ficavam quase seis meses em cartaz nos cinemas (algo fora do comum atualmente) e chegavam à TV somente quatro anos depois.

Atualmente, ganhar dinheiro com cinema passou a ser um desafio porque cada vez mais o custo para o consumidor final de reprodução de um filme fica menor e segue despencando. Para assistir a qualquer grande sucesso de Hollywood, basta fazer um download na internet, a praticamente zero de custo. Os filmes ficam muito menos tempo em cartaz porque logo perdem o interesse, em função da rápida disseminação pela internet.

Com isso, Hollywood teve de se reinventar. De um lado, cortou enormemente custos com a utilização maior de computação gráfica nos filmes. De outro, criou hits que fossem além de um filme somente e pudessem ter faturamento em diversas frentes, como, por exemplo, série de DVD de colecionadores, livros, brinquedos, blogs, quadrinhos, roupas, etc. Maiores casos desse tipo de abordagem são “Harry Porter” e “O Senhor dos Anéis”.
Maurício Barros de Moura, economista pela FEA-USP e mestre em Economia pela Universidade de Chicago, escreve às segundas-feiras

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