quarta-feira, 18 de junho de 2008

Coisas do Brasil

por Carlos Moura

Esta semana promete ser bastante movimentada no nosso Brasil.

Teremos mais tentativas de votações da CSS; depoimentos do caso Varig; a visita do senhor presidente da República à Bolsa de Valores de São Paulo e o rumoroso envolvimento de tropas do Exército, atuando em projeto social de um candidato a prefeito, com gangs de favelas no Rio de Janeiro.

Enfim, temos a mesma velha história da luta pelo poder e a glória.
Talvez, haja uma novidade, o professor Mangabeira Unger, quando escreveu o famoso artigo criticando violentamente o governo de seu atual chefe, não foi muito original.

Getúlio Vargas, um dos ídolos do nosso atual presidente, também foi alvo de críticas pesadas em 1932. E quem fez tais críticas não foi um membro da oligarquia paulista, foi João Neves da Fontoura em carta de 20/07/1932 a Borges de Medeiros (governador por muitos anos do Rio Grande do Sul), ou seja, ambos gaúchos e ex-companheiros de Vargas na Revolução de 30.

Permito-me reproduzir trechos dessa carta:

“Eu preferia que o Dr. Getúlio Vargas fosse um tirano. Perdôo mais os violentos do que os astutos. Mas o nosso ditador é um homem gelado, calculista, escorregadio. Não ataca, desliza. Não enfrenta, corrompe.

Não congrega, divide. [E mais:] Desbaratou o poder civil. Desmoralizou o Exército. Aniquilou o sentimento local. Amesquinhou a justiça. Instituiu o regime da delação. Oficializou a vingança contra os que o ajudaram a subir. Esqueceu compromissos. O favoritismo é uma instituição. A negociata é regra. Enfim, a República Nova com 2 anos de idade incompletos, é mais corrupta do que foi a Velha, em mais de quarenta e um.”

Ainda por aqueles tempos falava-se de um líder que tinha, acima de tudo, a facilidade de convencer, porque esse mesmo líder, depois de dizer uma tolice três vezes, se convencia do que dizia.

Infelizmente, não estamos assistindo um filme, que quase sempre tem no final a informação dizendo que se trata de uma obra de ficção e que qualquer semelhança com fatos ou pessoas, é mera coincidência. A realidade é cruel, passa-se o tempo e continuamos com os mesmos roteiros e as mesmas platéias batendo palmas.

Nenhum comentário: