Ao ver o cacique caiapó afirmar que irá à guerra contra o Brasil, se esse país decidir construir barragem em Belo Monte, fiquei perplexo. E agora? Mas logo me lembrei que, quando menino, ouvi de minhas tias-avós que tenho ascendência indígena, só não sei qual é a minha nação! Isso me permite pensar mais livremente; por exemplo: aproveitando as demarcações de terras indígenas, posso ganhar alguns alqueires de terra roxa no interior de São Paulo para plantar cana ou um terreno de frente para o mar no litoral Norte. Ou será o caso de pleitear junto às centenas de ONGs que cuidam dos índios, um passaporte europeu, como já tem alta dignatária da nossa República? Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã.
Logo em seguida, percebi que não é caso de guerra, mas de análise de investimentos, pois li nos jornais que a cada R$ 1 doado ao PT, empresas receberam R$ 54 no ano passado via contratos com a União, a inimiga dos caiapós.
Seguindo no livre-pensar, gostaria de convocar o Caiapó com seu facão para – como representante dos povos indígenas – participar como membro das CPIs do Congresso. Assim poderíamos entender como se originam atos falhos que levam experientes funcionários públicos e quadros do partido governista a enviar “banco de dados seletivo” por e-mail para assessores de parlamentares da oposição. Ou ainda, conseguir mais informações daquele senhor de gravata borboleta – ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil – sobre como gerar recursos não contabilizáveis para o mesmo partido governista. E agora, o BB quer comprar a Nossa Caixa, para quê? Existem as mais variadas explicações a favor e contra. Eu, pessoalmente, sou contra bancos estatais. As boas intenções originais dessas instituições não resistem a dez minutos de conversa para a conquista de apoios políticos. E, no final, quem paga a conta? Nós, os cidadãos brasileiros, que nunca podemos nos esquecer dos US$ 9 bilhões do rombo do Banespa no início dos anos 1990 e a enorme operação montada para salvar o BB um pouco depois.
Enquanto isso, os planos para a vingança pela derrota na renovação da CPMF, no final do ano passado, correm soltos e com muito mais livre-pensar que a guerra Caiapós versus Brasil.
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