Algo que admiro nos americanos é a capacidade de organizar eventos. Não é a toa que eventos como a entrega do Oscar e Superbowl, final do campeonato de futebol americano, só perdem em em audiência para a final da Copa do Mundo. E até mesmo uma discurso de despedida de uma pré-candidata vira motivo para festa, música, narrador de rodeio e também, para complementar o entreterimento,um discurso no final. Foi o que testemunhei ao vivo quando a ex-candidata Hillary Clinton discursou em um evento do Partido Democrata em Washington. Mas a pergunta que fica é: qual foi o evento que levou a primeira dama mais influente da história recente dos Estados Unidos a perder para um candidato "afro-americano" pouco conhecido ? Nesse mesmo dia e evento, ouvi mais uma teoria sobre esse tema: ela perdeu para Oprah Winfrey, a apresentadora "afro-americana" mais famosa da rede ABC.
A senadora tinha uma estratégia bem definida: vencer no Iowa, New Hampshire e Nevada, perder por poucos na Carolina do Sul e derrotar Barack Obama em toda a linha na Superterça-feira, dia 5 de Fevereiro. Parecia um plano perfeito. Com a máquina partidária quase toda do seu lado (não esquecer que a 3 de Janeiro tinha mais de 100 Superdelegados de vantagem em relação a Obama), nada lhe poderia tirar uma vitória fácil e segura.
Tudo começou a desabar em Dezembro do ano passado, quando Oprah Winfrey entrou em campanha, dando a vantagem que Obama precisava na comunidade "afro-americana". Oprah, por incrivel que possa parecer, é mais conhecida e popular do que a primeira dama. Disparada, segundo a Revista People, a americana mais influente e mais rica.O programa da TV da apresentadora tem sido lider de audiência desde 1989. No seu programa discuti-se de tudo, desde a Bomba Nuclear na Coréia até a melhor cor de calcinha para uma lua de mel no Kentucky.Muitos americanos, enxergam o programa de Oprah como uma fonte de informação melhor do que a CNN.
Com Oprah , a vitória da Carolina do Sul estava assegurada para Obama. Apenas precisava de uma vitória importante no Iowa. Que aconteceu, relegando Hillary Clinton para um humilhante terceiro lugar. Passados uns dias, todas as sondagens indicavam que Obama voltaria a repetir a vitória no New Hampshire. Mas aconteceu o que seria constante nesta campanha. Hillary renasceu das cinzas e venceu o Senador de Illinois. Passada uma semana venceu Nevada e pensou-se que tudo voltaria ao normal. Assim não aconteceu, porque a uma derrota esperada na Carolina do Sul, Bill Clinton, com intervenções desastradas, ofereceu uma vitória esmagadora a Obama neste estado dominado por afro-americanos e seguidores de Oprah.
Hillary Clinton parte para a Superterça-feira com uma inesperada desvantagem. Apesar de ter vencido, nesse dia, nos estados mais importantes, como Nova Iorque, Massachusetts, Califórnia e New Jersey, perdeu no número de delegados. E só voltaria a reencontrar-se passado um mês, no Texas e Ohio, onde venceu . Todavia, pelo meio ficou uma série impressionante de dez derrotas consecutivas durante o mês de Fevereiro, que acabaram por selar a nomeação do rival. Depois destas derrotas, Hillary estava destruída politicamente nestas primárias. Mas não desistiu, e obteve ainda vitórias importantes no Texas, Ohio e Pennsylvania, colocando expostas as fragilidades de Obama perante o eleitorado tradicional americano.
Se as primárias começassem hoje, mesmo com Oprah do lado de Obama, talvez Hillary tivesse mais chances de vencer. Depois de mais de um ano em campanha, provou ser uma candidata à altura. Se no início era a candidata fria e desligada dos eleitores, conseguiu aproximar-se das pessoas e conectou com o americano comum. E foi isso que senti no discurso de despedida.
O mais interessante dessa história toda é que Oprah foi a primeira a entrevistar em rede nacional, a ex-estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky sobre as aventuras na Sala Oval com o ex-presidente Bill Clinton . Imagino o que deva passar na cabeça da Senadora nesse momento. Quando perdeu o casamento e a indicação, tinha uma Oprah no meio do caminho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário