quarta-feira, 23 de julho de 2008

No futebol, tudo pode acontecer

Por Carlos Moura

O Estado deve garantir aos cidadãos o direito de escolher

Gosto de futebol, mas não sou fanático e uma das boas coisas do futebol são os debates nas rádios e televisões. São discussões infindáveis, cheias de pérolas como “no futebol tudo pode acontecer... nem sempre dá a lógica”.
Isso tudo – nem sempre dá a lógica – me veio à mente quando li as notícias sobre a saída da profa. Elizabeth Farina da presidência do Cade, órgão responsável pela defesa da liberdade de concorrência na economia. A profa. Elizabeth declarou com toda a clareza: “Faltou empenho do governo para reformar a defesa da concorrência.” Nesse caso deu a lógica. A liberdade de concorrência não é um jogo de futebol, mas para nós, cidadãos, é tão importante quanto. Sem liberdade de escolha, perdemos grande parte da nossa cidadania.
Por que deu a lógica? Os pensadores do partido no poder são contra a livre concorrência, querem o controle do Estado sobre a produção, mesmo sendo conhecidos como administradores ineficientes e misturadores dos bens públicos com personagens do setor privado. São também adeptos do partido único, que leva à extinção da escolha política.
Focando na defesa da liberdade de concorrência, esse foi o caminho escolhido pelos países que hoje combinam desenvolvimento e estabilidade política, porque o Estado assume seu verdadeiro papel na economia: garantir aos cidadãos o direito de escolher os bens e serviços que melhor atendem às suas necessidades e seus desejos.
Essa liberdade de escolha é perigosa para quem prega “mantemos nossos compromissos históricos, nossa moral socialista e nossa missão no combate do povo brasileiro por sua libertação”, como fez importante quadro do partido no poder – hoje fora do governo – em seu blog. Ora, se os cidadãos têm liberdade de escolha, podem contestar as ações do partido, podem perceber que há vida além das “bolsas doadas pelos governos” e querer votar em outros partidos. Não podemos ser inocentes: todos os partidos existem para chegar e ficar no poder, mas isso tem de acontecer dentro de regras democráticas, que garantam sempre a liberdade de escolha dos cidadãos.
É liberdade que queremos.

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