segunda-feira, 28 de julho de 2008

Obama na Europa e o muro nos EUA

Por Maurício Moura, da Redação

Parei em frente a uma banca de revista e apenas observei um movimento diferente. Absolutamente todos os jornais estampavam o sucesso de Barack Obama em Berlim, diante de mais de 200 mil pessoas.

Diante das manchetes, alguns paravam e diziam: "nossa, olha o Obama na capital da Europa!", (geografia nunca foi o forte dos americanos), outros arregalavam os olhos desacreditados pelo fato de ver um americano levantando simpatia dos "estranhos" europeus.

Afinal, para a maioria americana local, europeu é um povo abstrato, complexo, enquanto "nós da América" somos "objetivos, concretos e simples". Num texto famoso, um dos assessores de Bush afirmou: "Os Estados Unidos são de Marte, enquanto a Europa é de Venus", quando da recusa da Alemanha e outros europeus em apoiar a Guerra do Iraque.

Barack Obama, como de costume, entusiasmou com seu discurso em Berlim. Falou que os muros da humanidade devem cair. Os muros entre judeus e palestinos, entre Ocidente e Oriente e entre os europeus e americanos. Justamente no parque onde o Muro de Berlim passava e dividia a "capital da Europa" entre o mundo comunista e capitalista.

Todavia, Obama esqueceu de mencionar um determinado muro (e que pode ser decisivo para a vitória eleitoral em novembro): o muro da fronteira entre Estados Unidos e México, que Obama, quando senador por Illinois, votou a favor da construção. E pior, as propostas do candidato democrata para a questão da imigração em quase nada se diferenciam das de John McCain e do modelo atual de Bush.

A população latina que representa quase 15% do eleitorado americano tem na imigração um dos principais temas, e Obama, além dos entusiasmados discursos, tem muito pouco a oferecer de diferente. Não custa lembrar que Hillary Clinton teve ampla vantagem nas primárias entre os eleitores latinos.

Ficou a impressão para a comunidade latina nos Estados Unidos que os muros devem cair apenas do outro lado do Atlântico, onde Venus predomina. Porém, em Marte, se depender da Lua do candidato democrata, os americanos poderão até passar a ter um discurso mais abstrato (como o de Berlim), mas sem deixar de lado as políticas bem concretas em relação a muros e imigração.

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