quarta-feira, 6 de agosto de 2008

E as vacas gordas, quando chegam?

Por Carlos Moura

Ao longo dos últimos dias fomos exaustivamente informados sobre o fracasso da Rodada DOHA da OMC, que para o Brasil, por haver concentrado suas ações diplomáticas nessas negociações, tem impactos importantes. Saímos desse processo sem acordo multilateral para o comércio e não temos nenhum acordo bilateral substancial. Especialistas afirmam que nossa estratégia comercial fracassou com DOHA. Ao buscar entender o que ocorreu, encontrei a explicação numa declaração do ministro do Exterior: "O Brasil passará a focar resultados". Brilhante! Como brasileiro fico curioso por saber qual o foco da nossa política externa desde janeiro de 2003? Quanto nos custou essa política? Quanto deixamos de ganhar com os tempos de vacas gordas da economia mundial?

Minha esperança repousa no dinamismo do setor privado brasileiro, que deve exigir uma participação efetiva na definição de nossa estratégia comercial e não aceitar ser deixado de lado pela nossa diplomacia e pelos demais órgãos da administração federal, envolvidos com o comércio exterior. Precisamos de regras claras e estruturas ágeis.

Ainda nas vacas gordas, tivemos recentemente mudança no comando da Receita Federal, que vem faz anos batendo recordes de arrecadação. A nova chefe da SRF, em recentes entrevistas, falou em aumentar o número de alíquotas do IR das pessoas físicas, alegando que há clamor da sociedade para isso.

Concordo com a secretária da Receita Federal é preciso mexer no IR das pessoas físicas. Poderia começar por definir melhor o que é renda tributável, principalmente num país que quase nada dá de retorno em educação, saúde e segurança pública. Se a secretária fizer uma análise rápida da qualidade e da quantidade das despesas dedutíveis, poderá perceber que há uma diferença muito pequena entre renda bruta e renda tributável, o que coloca nossas atuais alíquotas efetivas entre as mais altas do mundo. Penso que uma pesquisa com as famílias que têm filhos em idade escolar seria muito útil.

Por isso, continuamos sem aproveitar os tempos de vacas gordas e engordando a distância que nos separa do verdadeiro desenvolvimento.

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