"A equipe brasileira liderada por Marta e Cristiane é melhor mas acho que temos chances de ganhar o ouro porque Brasil é um pais emocional" disparou a comentarista americana de futebol feminino da Rede de TV NBC dos Estados Unidos. Realmente ela estava certa, a seleção feminina brasileira jogou melhor mas quem levou a medalha de ouro foram as americanas. Todavia, ficou a pergunta na minha cabeça: o que significa ser um "pais emocional" ?
Se a ilustre comentarista se refere a perder disputas esportivas de alto nível, como o caso das Olimpíadas, mesmo carregando amplo favoritismo como foi o caso de Diego Hypólito na Ginástica, do futebol masculino, do Jadel Gregorio, do volei de praia e da própria equipe de futebol feminino, me permito discordar. Quem acompanhou os Jogos de Pequim pela TV americana percebeu que os Estados Unidos, além de tomar um baile da China no quadro geral de medalhas, ainda amargou uma série de decepções: o atletismo que comeu poeira dos velocistas da Jamaica, sendo inclusive eliminado nas provas de revezamento por deixarem "cair o bastão" tanto no masculino como feminino (esse é um erro bem maior do que o cometido pelo ginasta brasileiro), o softbol que perdeu a final para o Japão que nunca tinha ganho medalha ou mesmo a ginástica feminina que ficou atràs da China e até agora não para de reclamar da idade das chinesas. Essas derrotas significam que os americanos são "emocionais" ?
Agora, se a americana da NBC se refere ao fato da maioria dos brasileiros só lembrar de esportes como o atletismo, judo, ginástica, tawekondo, natação, futebol feminino, boxe e outros de quatro em quatro anos e ainda exigerem medalhas, devo concordar plenamente. O esporte brasileiro ainda carece de investimentos públicos e privados para que possa disputar medalhas com maiores chances em diversas modalidades. Não custa lembrar que o medalhista de ouro, César Cielo, treina nos Estados Unidos desde 2004 e 90% dos atletas de volei de quadra (tanto feminino quanto masculino) jogam na Europa. A vela e hipismo, aonde o Brasil ganha medalhas regularmente, passam longe de serem esportes acessíveis para a população.
Por outro lado, o investimento feito pelos Estados Unidos em esportes olimpicos chega a quase 5% do PIB americano. A China atingiu a marca de quase 10% do PIB em investimentos no esporte, nos últimos 15 anos, incluindo treinamento de atletas, formação de treinadores e construção de infra-estrutura esportiva. Enquanto isso no Brasil não temos nem estatística sobre esse tema.
Nesse sentido, o fim dos Jogos Olímpicos de Pequim nos deixa a certeza que temos de ser realmente muito "emocionais" para esperar que nossos atletas possam disputar medalhas, em igualdade, com forças esportivas como EUA, China, Austrália, Inglaterra e Rússia. Se a turma da NBC realmente conhecesse a realidade do esporte tupiniquim e o grau de expectativa criado em cima dos atletas brasileiros, certamente diria que o Brasil além de "emocional",pode tranquilamente receber o adjetivo de "irracional".
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