Diz o ditado popular: "casa que falta pão, tudo mundo fala e ninguém tem razão". Lembrei-me disso ao ler as notícias sobre as disputas entre o inspetor Geral T. Soninlaw (aquele que mandou rapidinho de volta para Cuba os atletas cubanos que fugiram da delegação no Pan-Americano do Rio) e os militares sobre a Lei da Anistia. É óbvio que é um tema muito delicado e cheio de cargas emocionais. Não tenho respostas definitivas, mas sinto que a Anistia permitiu uma transição tranqüila para a democracia.
O fundamental agora e sempre é lutar não só pela preservação como para a plena consolidação da democracia em nosso país, porque vemos todos os dias sérias ameaças a ela. Basta ler os jornais para entender minha preocupação.
Para quem viveu os anos da ditadura militar, o vital é ter aprendido as lições sobre os extremismos de ambos os lados e fazer de tudo para não repetirmos os erros. Isso inclui tornar pública a real situação dos muitos desaparecidos, para que suas famílias possam seguir suas vidas sem esse drama.
Outro tema, este agradável, é a candidatura do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016, que serviu de pretexto para mais uma viagem ao exterior de nosso presidente da República, que foi à China para ver como se faz uma Olimpíada. Por enquanto, só temos visto discursos repletos de furor patriótico, como, aliás, é a regra geral para qualquer questão que exija ações dos governos no Brasil. Será que bastará criar a "bolsa olimpíada" e tudo se resolverá? Ou teremos o PAO – Plano de Aceleração das Olimpíadas, com muitos discursos e promessas de investimentos? Enquanto isso, o Rio de Janeiro – candidato a sede dos jogos – já foi tomado por um "governo estrangeiro", que dita todas as regras para funcionamento de grande parte da cidade.
Será que por isso tudo, logo teremos mais um ministério? Afinal, 2010 está chegando e o dízimo dos companheiros é vital, principalmente se as eleições resultarem em alternância no poder.
Mas assim é a democracia e não é simples saber quem tem razão.
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