quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Recordar é viver: Stanislaw se foi; Febeapá continua

Leio nos jornais sobre o lançamento de um livro sobre Sérgio Porto e Stanislaw Ponte Preta: "De Copacabana a Boca do Mato: O Rio de Janeiro de Sérgio Porto e Stanislaw Ponte Preta", de autoria de Cláudia Mesquita, que desenvolve a tese de que, em vez de pseudônimo, Stanislaw é o heterônimo de Sérgio.

Digo que recordar é viver, porque aprendi a ler e a gostar de Sérgio/Stanislaw com meu avô – Euclydes – voraz leitor e fonte de minhas primeiras incursões no mundo da leitura. Um dos grandes momentos de Stanislaw foi a criação do Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País. Infelizmente para nós, brasileiros, Sérgio nos deixou muito cedo e o Febeapá prosperou e está cada vez mais vigoroso. Não há o menor risco de ser abatido, nem por um ataque do coração.

Nos últimos anos temos visto inúmeros e incontáveis exemplos de besteiras assolando o nosso país. Como sou um simples cidadão, não ouso apregoar nada como nunca antes na História, mas como aprendi nas aulas de Filosofia do colegial com o Prof. Mesquita, "só sei que nada sei". Essa lição é muito útil para começarmos nossas leituras sobre as crises do momento. Uma é a do mercado financeiro dos EUA e a outra é a da Bolívia. Ambas parecem ter raízes em outro momento das minhas leituras na juventude, o realismo fantástico da literatura latino-americana, pois são crônicas da morte anunciada.

No caso dos bancos de investimentos americanos, mesmo parecendo ser simplista, temos um caso clássico de show off, os operadores esticaram os elásticos ao máximo, muita gente ficou feliz e ganhou rios de dinheiro, só que elástico é elástico, ou arrebenta ou volta ao ponto original ao ser esticado. Quem vai pagar a conta? A "viúva" ou as viúvas do meio-oeste dos EUA? E nós aqui em Pindorama? Estamos mesmos blindados? Não sei! Continuamos sem Educação, Saúde, Segurança, Infra-Estrutura e Política Fiscal. Nossos governos só fazem crescer os gastos e usar o patrimônio público para fins políticos e eleitorais.

No caso da Bolívia, temos mais uma crise, fundada na mais nova tentativa de iludir o povo de origem indígena, com fortes doses de pirotecnia populista dos atuais governantes, que pode provocar sérias rupturas, mas que não promoverá melhorias na vida dos bolivianos.

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