Júlio César – o grande general e depois imperador romano – mudou o curso da História ao atravessar o rio Rubicão e desafiar o Senado Romano. Entre os grandes feitos militares de Júlio César destaca-se a conquista da Gália. Porém, há controvérsias, pois há autores afirmando que Júlio César conquistou toda a Gália, menos a aldeia de Astérix e Obelix. Isso graças à poção mágica do druída da aldeia que dava super poderes para quem a tomasse.
Recentemente, outro Júlio César resolveu desafiar os poderosos da República, sugerindo que o chefe do executivo atravessasse o Rio Uruguai e abandonasse seu país. Tudo indica que o alvo do desafio do atual Júlio César não deu ouvidos à sugestão. O ponto comum entre os dois Júlios é a poção mágica que eles e todos os demais cidadãos tem que enfrentar. No caso dos gauleses a poção dava força física, no caso atual produz anti-aderência e um enorme pára-choques, porque nada atinge o Chefe e mais, aumenta sempre seus poderes.
Esses poderes especiais do Chefe estão sendo alardeados pelo país afora para ajudar na eleição de seus companheiros da base aliada. O curioso é que essa base é aliada "pero no mucho", porque há competição entre seus membros não só para ganhar a eleição, mas também para mostrar quem é mais amigo do Chefe.
Como as informações passadas ao estimado público são via uma legislação eleitoral no mínimo pitoresca – maior exemplo é o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão – fica difícil entender quem é quem. O que está claro é a inexistência de oposição ao Chefe. Essa falta de oposição é muito bem estruturada e certamente dará excelentes resultados para ele.
O grande perigo para as repúblicas é a sensação de poder infinito que atinge os chefes, há muitos exemplos na História de generais que abusaram do poder: Alexandre, Napoleão e os caudilhos da América Latina. Assumem que o poder é só deles e ficam perigosos quando contrariados. Há um meio simples para nós, cidadãos, cuidarmos disso: votar com independência. Vamos aproveitar bem o próximo 5 de outubro.
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