Enquanto a crise gerada e parida pelo sistema financeiro mundial corre solta, assistimos no Brasil a uma greve dos bancários. Não tenho a menor intenção de discutir a validade ou não da greve e, muito menos, o direito dos bancários de lutar por seus interesses. O que me irrita é o desamparo de nós cidadãos comuns. Isso porque, os bancos no Brasil têm uma função incomum, qual seja, são as coletorias ou cobradores de quase tudo. Se queremos pagar nossa conta de luz, temos que pagar nos bancos, o mesmo é válido para tributos. Enfim, temos que pagar quase tudo nos bancos.
Se as agências fecham ou funcionam parcialmente, as pessoas comuns têm problemas, porque se não conseguem pagar no dia do vencimento, serão cobradas com juros e multas. Alguns podem dizer que se pode pagar pela Internet, nos caixas automáticos e nas casas lotéricas. Mas no final, quem arrecada são os bancos, que são remunerados por esse serviço. Nós todos, velada ou abertamente, pagamos um pouco mais caro por isso.
Esse privilégio dos bancos, que pode ser muito confortável para os cidadãos, precisa ter uma contra-partida garantida e controlada por lei, ou seja, todos os serviços de cobrança têm que estar sempre disponíveis nos horários comerciais. Caso contrário, o cidadão fica desprotegido e prejudicado. Afinal, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.
Outro privilégio dos bancos no Brasil é a concessão de empréstimos. Somente eles podem emprestar dinheiro ao público. Por que isso? Suponha que tenhamos um capital e decidamos montar um negócio para emprestar dinheiro. Registre-se que iríamos emprestar o nosso dinheiro, não faríamos nenhuma captação de recursos do público. Não podemos. Qual o benefício para o público desse privilégio? Para mim, não vejo nenhum. Admito que não sei se haveria muitos investidores para essa atividade, mas entendo que ela deva estar disponível.
Que tal aproveitarmos este momento de revisão do papel do mercado financeiro e colocar esses privilégios em discussão pública? Com a palavra as chamadas autoridades competentes e nossos representantes no Congresso Nacional.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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