O grande filme da chegada do Outono nos Estados Unidos tem tudo para ser "W" , dirigido pelo famoso Oliver Stone ( Diretor dos controversos Platoon, Nascido em 4 de Julho e JFK). O filme conta a vida do Presidente George W. Bush, e tem particular foco sobre os bastidores da Casa Branca em meio ao 11 de Setembro e Guerra do Iraque. Certamente daqui 100 anos, historiadores vão contar que o Governo Bush passou por dois momentos delicados: o 11 de setembro em 2001 e a crise do mercado financeiro em 2008.
A primeira reação do presidente americano foi no melhor estilo "anos de chumbo" da Ditadura Brasileira, com a sensacional abordagem patriota "Brasil - ame-o ou deixei-o". No mesmo estilo, Bush promoveu o ataque ao Iraque sem negociar ou escutar nenhuma liderança mundial.Os Estados Unidos, naquela oportunidade, adotoram o discurso "ou estamos juntos ou estamos em lados opostos". Não houve nenhuma coordenação. O resultado foi a desastrada invasão cujos resultados negativos para a humanidade se estendem até hoje.
Na crise financeira mundial, a atitude foi diferente. O governo yankee se reuniu e ouviu Chefes de Estados e Ministros de Finanças de diversas partes do planeta. Na real, não somente ouviu mas também copiou a solução do velho mundo. A compra de participação nos bancos foi incialmente uma idéia do Primeiro Ministro da Inglaterra, Gordon Brown. E o que pareceu para muitos um projeto de coordenação global contra crise foi, na verdade, uma edição macro de uma anedota da "sabedoria popular" que diz "quem não cola não sai da escola". Houve o que os economistas chamam de "correlação" que significa, na prática, ver o que os outros estão fazendo e fazer igual.
Menos mal considerando as atitudes e o estilo de governo da "Era Bush". Não custa lembrar que a proposta inicial do Secretário do Tesouro, Henry Paulson, era ter "um cheque branco" de US$ 700 bi para comprar ativos podres do sistema financeiro – o mesmo que dizer "manda o dinheiro que vou gastar como achar melhor – ou estamos do mesmo lado ou o mundo vai quebrar". E o mesmo (Secretário Paulson) foi absolutamente inconsistente em todos os seus discursos sobre a crise financeira – começou dizendo ser contra comprar ação de banco e acabou afirmando que tal era a alternativa mais racional.
Solução ideal essa de comprar participação nos bancos ? Talvez não, porque não se sabe o que é pior para o contribuinte, ter o governo como sócio de banco ou administrando banco. Todavia, o importante é que o resultado final desse caminho adotado pelos governos europeus e americano certamente será melhor do que qualquer atitude "isolada" ou "heróica" da Casa Branca como ocorreu na Guerra do Iraque.
No filme, Oliver Stone mostra que George W. Bush se enganou em quase todas as suas análises sobre política externa e economia. Garantiu para o mundo que havia armas químicas em Bagdá, afirmou em Maio de 2003 que no Iraque os Estados Unidos tinham a "Missão Cumprida", previu a prisão de Osama Bin Laden antes do final do seu mandato e por fim ainda afirmou que a crise do sub-prime era um fato isolado e não iria atingir a economia real. Essa semana, em outro discurso em rede nacional , Mr. Bush previu que "os efeitos da crise serão longos e duros". Confesso que considerando o histórico de acertos do mesmo, essa afirmação serviu até como luz no fim do tunel.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
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