
Por Carlos Moura
Em novembro de 1955 o Marechal Lott liderou movimento para garantir a posse de JK, eleito presidente em outubro daquele ano. O lema de Lott foi "garantir o retorno ao estado constitucional vigente". É certo que os perdedores de 1955, conseguiram acabar com o estado constitucional vigente em 1964.
Infelizmente não temos mais tipos como Lott e, para nossa tristeza e atraso, temos tipos como o Insp. Geral T. Soninlaw, que como foi bem definido pela revista VEJA "é daqueles homens públicos que adoram a imprensa – desde que ela lhe seja servil e bajuladora" O pior é que Soninlaw não está só no projeto de amordaçar a imprensa, tem aval do Planalto e, certamente, apoio intelectual da área de comunicação social do Executivo.
Soninlaw comanda a tentativa de aprovar no Congresso um projeto de lei que, usando a justificativa de combater as escutas clandestinas, quer punir com até 4 anos de prisão quem, desafiando o grupo atualmente no poder, cometa o desrespeito de divulgar o conteúdo de grampos, isto é, os jornalistas. Mas, não são todos alvos do Tribunal de Exceção de Soninlaw, somente aqueles não alinhados ou subsidiados. Esses, quando pegos com a mão na botija, são logos perdoados, porque são vítimas ou aloprados. Afinal, eles tem muitos anos de dedicação à causa de construir um Brasil melhor. Não aquele Brasil que, como muito bem definiu o jornalista J. R. Guzzo, "será um país bem mais arrumado quando tomar a decisão de concentrar-se na multiplicação de chances para quem está pior e deixar em paz quem está melhor".
Enquanto isso, na semana passada em Nova Iorque, nosso chefe do Executivo atacou o liberalismo e o ET George W. Bush e, do alto do seu permanente caminhão de som, falou para seus companheiros que o mercado financeiro "precisa ter ética". Infelizmente, o Jefferson local não tem mais condições de dar o mesmo conselho que o nosso Jefferson, em 2005 no auge dos tempos do "mensalão", deu para um alto prócer do partido do governo e atual blogueiro.
Por isso, sorria sempre e aperte os cintos, porque o caminhão segue sem piloto.
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