Por Maurício Moura
Saddam continua empregado mas "how about you" ? A frase anterior ilustrava não somente o mais famoso adesivo da campanha de Bill Clinton para presidente em 1992, como seu principal argumento: Os Estados Unidos podem até ter vencido a Guerra do Golfo, mas perderam a batalha no "front" da economia com aumento do desemprego e queda no crescimento econômico. Argumento perfeito para uma conquista democrata da Casa Branca depois de 12 anos de Governo Republicano.
Passados 16 anos, o quadro é pior: a Guerra do Iraque se prolonga em longa e árdua estadia em Bagdá – e nesse caso, mesmo com a morte de Saddam Hussein – Osama Bin Landen continua empregado e empenhado em propagar o terrorismo. A economia americana passa por uma das maiores crises financeiras (senão a maior) de todos os tempos. Somente nesse cenário negro, sem trocadilhos, um "afro-americano" teria alguma chance de chegar a Washington como presidente.
Todavia, não custa lembrar que até a semana do estouro da crise em Wall Street, quando da decisão governamental de intervenção pesada no mercado financeiro, as pesquisas mostravam tímida vantagem de Obama sobre o candidato Republicano John McCain (cerca de 2 pontos percentuais apenas). Quando o Lehman Brothers afundou e o contribuinte médio americano, aquele típico cidadão branco e conservador de Ohio, foi chamado a pagar a conta com um "cheque em branco" de U$S 700 bn (lembre-se que era essa a proposta principal do Tesouro americano para acabar com a crise), acabaram as chances reais de McCain.
E, nessas horas, a matemática da economia fez o eleitor considerar a possibilidade de eleger Obama presidente. Como exemplo, entre 2000 e 2006, período de maior expansão da Era George W. Bush, os Estados Unidos cresceram 18% em termos do PIB (Produto Interno Bruto) mas, no mesmo período, a renda anual do americano médio caiu 1.1% ou cerca de US$ 2.000. Ao mesmo tempo, os 10% mais ricos tiveram um aumento de renda real de 32%, o grupo 1% mais rico gozou de 203% de incremento de rendimentos e os 0.1% americanos mais ricos obtiveram 425% de crescimento de renda real.
Depois de 2006, venho a crise do sub-prime e tudo ficou pior. O problema maior dessa crise americana (e maior desafio do futuro presidente) é que o país perdeu a capacidade de fazer seus trabalhadores médios assalariados gozarem dos benefícios do aumento de produtividade. Os Estados Unidos, berço da classe média, regrediu em termos de distribuição de renda - fato inédito no desenvolvimento do "American Dream". E pior, a classe média ainda foi chamada, como contribuinte, para "cobrir" as perdas financeiras daqueles que tiveram 300% de aumento de renda. Foi demais.
Para os livros da História ficará o fato de que somente quando foi pedido ao povo americano um "cheque em branco" de US$ 700 bn para salvar os bancos de investimento em Wall Street, foi possível eleger um negro presidente dos Estados Unidos.
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