quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Nossa assustadora pobreza intelectual

Por Carlos Moura

Vivemos dias complicados em nosso Brasil. Nossos representantes nos parlamentos (federal, estaduais e municipais) gastam nossos impostos na busca permanente de soluções para seus problemas pessoais ou de seus correligionários de ocasião.

O debate de idéias é inexistente. Não se vêem discussões sobre os grandes temas que interessam ao país. Predomina a politicagem paroquial.

Além da pobreza material, histórica em nosso país, vemos crescer assustadoramente a pobreza intelectual. Talvez não seja somente um fenômeno nosso. Outros países, inclusive entre os chamados desenvolvidos, vivem a mesma situação.

Essa falta de debate ou polêmica predomina em muitos outros campos da vida social. Por exemplo, na cultura, é uma situação assustadora. Não temos mais informação fundamentada, temos somente guias de programação. Há muitos outros exemplos para nossa tristeza..

Também não temos análises e debates fundamentados. Vemos crescer os resumos e as frases feitas, e mais pobreza intelectual.

O mais triste é o sentimento de que tal situação seja parte de um projeto político autoritário e anacrônico, cujo objetivo final é o controle do Estado por um grupo de pessoas, voltadas não para servir o país, mas para se servir dele.

Vivemos tempos de não-discordância. Não concordar com a orientação oficial significa tudo de ruim, e nunca uma prática normal numa democracia.

Vemos quase todos os dias notícias sobre o aparelhamento de estruturas do serviço público, objetivando levar-nos para a unanimidade de pensamentos e ações. Isso explica as análises de muitos pseudo-intelectuais sobre os resultados das eleições de outubro passado.

Fala-se muito em preconceitos, mas quem teve a oportunidade de participar de assembléias de estudantes nos anos 60 e 70 vai se lembrar de que valia tudo para impedir vozes discordantes.

Havia uma e só uma verdade, o resto não existia e assim deveria ser para sempre.

Logo, como dizia Nelson Rodrigues "toda unanimidade é burra", e o maior perigo é a burrice pró-ativa.

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