segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“DILEMAS ESTRATÉGICOS NA ROTINA DO ADMINISTRADOR”

“DILEMAS ESTRATÉGICOS NA ROTINA DO ADMINISTRADOR” Carlos Antônio Barros de Moura, Administrador/EAESP – FGV e Corretor de Seguros carlos@barrosdemoura.com.br Agosto 2012 Muitos ainda se lembram das piadas feitas com Garrincha sobre as instruções do Técnico Vicente Feola, antes do jogo contra a União Soviética na Copa do Mundo de 1958. Feola explicou tudo que ia acontecer no jogo, quem faria o que, como, quando etc. Inclusive as reações dos soviéticos. Garrincha, ao final, pergunta: “Já combinamos tudo com eles?”. É isso mesmo. O Administrador vive se questionando sobre “quais são nossos objetivos?”, e daí “o que fazer?”, “como fazer”. “quem vai fazer?” e “quando vai ser feito?”. E não tem como combinar com os adversários ou concorrentes. Para suavizar esse quadro, temos que planejar. Planejamento exige informação de qualidade. Isso tudo para reduzir as incertezas. Afinal, todo empreendimento trabalha com riscos especulativos, que podem gerar ganhos ou perdas. Uma vez que risco é incerteza, pela possibilidade de gerar perdas, traz insegurança para a gestão dos empreendimentos. Felizmente, o Administrador existe para gerar ganhos. Para o bem, nem todos os riscos são especulativos. Temos também os chamados riscos puros. Esses tem, somente a possibilidade de produzir perdas e se apresentam em 3 categorias: 1. Pessoais ou corporais; 2. Patrimoniais ou materiais 3. Decorrentes de Responsabilidade Civil. Para diminuir a angústia do Administrador na gestão dos riscos puros, existem os SEGUROS. Sabemos que o seguro diminui a incerteza. É óbvio que não acaba o infortúnio, mas é a forma mais inteligente de PROTEÇÃO da capacidade de gerar riquezas tanto para as pessoas como para os empreendimentos. Se o Administrador eficiente e eficaz não deixa de lado a racionalidade e não joga com a sorte na gestão dos riscos especulativos. Qual deve ser sua atitude frente aos riscos puros? Incluir na preparação de seu Plano Estratégico, ações para tratar suas exposições a perdas, aplicando as seguintes técnicas: 1. EVITAR: quando possível é a mais eficaz. Isso pode acontecer, quando os empreendimentos evitam perdas potenciais, ao decidirem não investirem em alguns tipos de ativos ou se dedicarem a certas atividades. 2. CONTROLE DE PERDAS: as perdas podem ser controladas via: • Prevenção – diminuindo a freqüência • Redução – diminuindo a gravidade ou • Uma combinação das duas alternativas. 3. RETENÇÃO: mantendo ou absorvendo o todo ou parte do impacto financeiro de uma perda. 4. TRANSFERÊNCIA: que não seja para SEGURO: acontece quando a exposição a perda é assumida por outrem, normalmente através de contrato. 5. SEGURO: é um sistema que permite a pessoas ou empreendimentos transferir sua exposição a perdas para uma companhia de seguros que indeniza o segurado pelas perdas cobertas. Evidentemente, tal transferência implica em desembolsos e a análise da viabilidade desse desembolso deve sempre compreender: A. A probabilidade de um evento ocorrer e B. A incerteza relacionada com a ocorrência ou não do evento. No processo de planejamento estratégico, será útil ao Administrador incluir ações para maximizar o retorno dos investimentos em SEGURO, tomando como ponto de partida os seus BENEFÍCOS: 1. PAGAMENTO PELAS PERDAS (INDENIZAÇÕES) Indenizar é fazer com que alguém, que teve uma perda, possa retornar à sua situação financeira ou patrimonial, caso o evento causador da perda, não houvesse acontecido. O papel principal dos seguros é indenizar quem tenha sofrido perdas. Para reconhecermos o valor do pagamento das indenizações, basta, verificar o que acontece quando não há seguro. Logo, podemos assumir que os seguros fornecem estabilidade para pessoas ou empreendimentos. 2. REDUÇÃO DE INCERTEZA Todos passam a ter suas incertezas grandemente reduzidas pelo fato dos seguros proverem compensação financeira para as perdas cobertas. Isso faz com que a sociedade como um todo, experimente uma redução de incertezas. 3. CONTROLE DE PERDAS Perdas seguradas precisam de companhias de seguros para o pagamento das indenizações. Quando as perdas são prevenidas ou reduzidas, o pagamento de indenizações diminui. O controle de perdas reduz o montante de dinheiro que as seguradoras têm que pagar por sinistros. O resultado disso se reflete em: (i) melhores resultados das seguradoras, (ii) custos de seguros menores para os segurados e (iii) a continuidade da vida normal da comunidade. 4. USO MAIS EFICIENTE DOS RECURSOS A sociedade para enfrentar o futuro inseguro, procura separar (poupar) recursos para “os tempos de vacas magras”. Os seguros fazem desnecessário poupar para aquelas exposições a perdas que podem ser seguradas. Dinheiro que teria de ser poupado, pode ser usado para melhorar a qualidade de vida ou para investir na expansão dos negócios. Os seguros não só protegem o capital existente, mas, também, encorajam novos investimentos e a acumulação de capitais. 5. APOIO AO CRÉDITO Antes de emprestar algum dinheiro, o financiador quer se assegurar que o empréstimo será pago. Quando se empresta dinheiro para compra de ativos, o financiador normalmente passa a ser interessado no bem, ou seja, poderá retomá-lo, caso o empréstimo não seja pago. Porém, o financiador terá maiores dificuldades para recuperar seu capital, se o bem houver sido destruído ou se o empreendimento ficar impossibilitado de continuar a funcionar. Os seguros podem tornar possíveis certos empréstimos ao reduzir as chances de perdas do financiador. 6. REDUÇÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS Quando as vítimas de acidentes não têm direito a indenizações, isso pode ser um problema sério para a sociedade. Os seguros ajudam a reduzir tais problemas ao proverem compensações por salários perdidos, despesas médicas e benefícios por morte aos sobreviventes. Além de tornarem possível a reconstrução de imóveis e a compra de máquinas e equipamentos. 7. CUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIAS LEGAIS OU NEGOCIAIS Há muitas situações que por lei ou exigência contratual ou usos e costumes, seguros são exigidos. CONCLUSÃO: É verdade que o Técnico Feola nunca teve como combinar o andamento dos jogos com os adversários, e isso, também, acontece com o Administrador, mas esse tem ferramentas mais eficientes e eficazes para entrar em campo com maiores oportunidades de ganhar o jogo.

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