quinta-feira, 27 de setembro de 2012

"NÃO ME CULPE, SOU DE MASSACHUSETTS" Diário de Guarulhos em 28/01/2010

Em tempos de Eleição e Julgamento do Mensalão, tomo a liberdade de colocar no blog, coluna publicada no Diário de Guarulhos em 28/01/2010 “Não me culpe, sou de Massachusetts” Na eleição presidencial de 1972, nos EUA, Richard Nixon foi reeleito ganhando em todos os estados, menos em Massachusetts. Quando ele explodiu com o escândalo do Watergate, era muito comum ver nas ruas e estradas daquele estado carros com um adesivo dizendo: “Não me culpe, sou de Massachusetts”. Anos depois, nós – brasileiros – pudemos ver em 2005, pela televisão o sr. Duda Mendonça confessar em CPI do Congresso Nacional haver recebido parte de seus honorários profissionais pelas campanhas de 2002 do PT para presidente, governador e senador de São Paulo, via depósito em conta bancária em banco no exterior. Pensei que, talvez, não demorássemos para ver nas nossas ruas e estradas carros com adesivo parecido com o de Massachusetts. E o que aconteceu? Nada? Mas ficou claro que não tínhamos oposição e tínhamos uma enorme massa de representantes no Congresso, manobrada pelo “mensalão”. Certamente, esse foi mais um capítulo da série “nunca antes na história desse País”, porque depois disso temos sido contemplados com um crescente tsunami de escândalos. Com isso tudo, o PT reelegeu Nossa Guia para presidente da República em 2006. Quem sabe podemos dizer que esse partido precisou refazer alguns pontos de seu projeto de poder, deixar adormecidos alguns quadros, para que, mais adiante, tudo e todos pudessem retomar seus lugares no palco principal do espetáculo do crescimento. Os principais atores já começam a atuar, iniciando seus shows pela retomada do comando nacional do PT, com o singelo objetivo de enquadrar os quadros do partido nos mais diversos estados do país. No tempo que esses renomados próceres estiveram nas sombras, outros trabalharam para implementar as ações necessárias para garantir novos sucessos eleitorais e implantação de seu modelo econômico e político. Importantes etapas foram superadas, como a desmoralização do poder legislativo, ataques ao poder judiciário e ao TCU, o avanço no controle da informação e do que chamam de “cultura” e o descaso com as ações ilegais dos movimentos sociais, amplamente financiados através de misteriosas ONGs. Com incrível habilidade, criou-se no país a sensação de que “agora vai”, mais por aproveitamento publicitário dos anos dourados da economia mundial (2003-2008), que por ações concretas. Continuamos carentes das reformas que realmente precisamos: política, tributária, previdenciária, trabalhista, segurança em todos os aspectos, infraestrutura, educação e saúde. O fantástico disso tudo é que o primeiro presidente da República operário, que abraça e adora as ideias e práticas de um ditador – Getúlio Vargas – não cuidou da formação da juventude para a vida e o trabalho. Já temos bem próximo de nós mais um enorme gargalo para um efetivo desenvolvimento, falta gente qualificada para trabalhar, mas pronta para pagar a conta. CARLOS BARROS DE MOURA, empresário e Diretor da ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO. www.diariodeguarulhos.com.br

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