terça-feira, 4 de dezembro de 2012
INFRAESTRTURA DIFICULTA EXPANSÃO DA CAFEICULTURA
A desvalorização do real em relação ao dólar contribui para manter o nível de competitividade do café brasileiro no exterior, mas não é a solução para o setor exportador, diz João Antônio Lian, presidente do Conselho Deliberativo do Cecafé, órgão que reúne exportadores do grão.
Segundo ele, o País deve atacar problemas que atrapalham o avanço das vendas externas, como a elevada carga tributária. É preciso melhorar, ainda, a infraestrutura, como portos e estradas, e promover a reforma trabalhista. "Um câmbio melhor, sozinho, não vai se traduzir em maior renda para o produtor", afirma.
Embora não seja o único motivo, o fortalecimento do dólar acaba implicando em desvalorização das commodities agrícolas, como café, por causa da maior oferta brasileira no mercado internacional. Conforme Lian, o problema é que o produtor brasileiro, que recebe em reais, não consegue ter aumento de renda.
Em 22 de agosto do ano passado, com o dólar a R$ 1,6030, o indicador de preço do café arábica da Esalq fechou em US$ 300,52 a saca de 60 quilos, correspondendo a R$ 481,73 a saca. Na segunda-feira, com o dólar a R$ 2,0820, o valor da saca era equivalente a R$ 346,61. Com a queda das cotações, também motivada pela crise internacional, entre outros fatores, o cafeicultor "está segurando a produção à espera de melhor preço".
O problema é que o café arábica brasileiro vem sendo substituído nos blends (misturas de grãos de tipos diferentes) das indústrias pelo robusta do Vietnã e de outros países, que é mais competitivo. O Cecafé estima que a exportação brasileira este ano deve diminuir para entre 28,5 milhões e 29 milhões de sacas, em comparação com 33,5 milhões de sacas em 2011.
Fonte: A Tribuna
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