segunda-feira, 11 de março de 2013
MILIONÁRIOS UTILIZAM BENEFÍCIOS EM PREVIDÊNCIA PARA SUCESSÃO
O patrimônio de fundos de previdência para o segmento de private banking - investidores pessoa física com mais de R$ 1 milhão em recursos - cresceu 44,6% no último ano, para R$ 27,9 bilhões, de acordo com o último boletim do setor divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
"Cada vez mais nossos clientes estão utilizando fundos de previdência aberta para planejar sucessão familiar e como uma solução de performance de longo prazo. O benefício de atrasar o pagamento do Imposto de Renda (IR) e a inexistência de cobrança semestral [come-cotas] gera mais retorno no final do plano", explica o gerente de private banking do Banco Fator, Rodrigo Marcatti.
O executivo explicou que o investimento em previdência regulamentado da Superintendência de Seguros Privados (Susep) tem mais benefícios do que os demais fundos. "A Susep trata o fundo de previdência aberta como um seguro e exige a nomeação de beneficiários no momento de contratação do produto. Na falta do investidor, o pagamento ao beneficiário -independentemente de ser herdeiro legítimo- é feito em no máximo 30 dias, sem burocracia com advogados ou com processos judiciários de partilha familiar", diz Marcatti.
Como instrumento de sucessão familiar, utilizar o fundo de previdência aberta como seguro de vida desobriga da aplicação do Imposto de Transferência de Causa Mortis e Doação (ITCMD). Em São Paulo, o ITCMD é de 4%. "Além dessa economia com o imposto, advogados cobram um percentual sobre a partilha entre 4% e 6% dos bens. Se o profissional for de confiança da família há muito tempo, a taxa pode ficar em 2%. É um custo alto", afirma.
Quanto à utilização como aposentadoria, os fundos de previdência aberta diferem das demais carteiras por não possuir a cobrança do IR semestral, o chamado "come-cotas". "O IR só é cobrado no resgate. A partir do décimo ano, a alíquota regressiva cai de 15% para 10%. Para quem tem horizonte de longo prazo, o fundo de previdência gera um ganho maior em relação a carteiras com ativos semelhantes", detalha.
Ele citou como exemplo as carteiras de índice de preços, que pagam juros reais mais inflação. "No longo prazo, um fundo de previdência índice de preços vai render mais que um fundo de investimento índice de preços. Os bancos venderam muito esse produto no ano passado."
O executivo identificou o perfil dos clientes que utilizam esse instrumento de longo prazo. "São clientes mais conservadores. A regulação da Susep é mais conservadora do que a indústria pode ser. No máximo, um fundo de previdência pode ter 51% de renda fixa e 49% em ações", diz. Marcatti contou que clientes de porte podem montar fundos exclusivos. "Acima de R$ 10 milhões compensa montar a própria carteira, abaixo desse valor é melhor diluir os custos com outros cotistas. Na Fator, temos 2 fundos exclusivos."
No mercado, a participação dos fundos de previdência no segmento de private banking cresceu de 5% dos ativos em junho de 2012 para 5,3% em dezembro de 2012. O setor possui R$ 527,3 bilhões em patrimônio distribuídos entre 48.802 clientes e cresceu 21,4% no ano passado.
Do total de R$ 527,3 bilhões em patrimônio, R$ 91,8 bilhões estão em fundos próprios abertos, R$ 18,1 bilhões estão em fundos abertos de terceiros, R$ 109,7 bilhões estão em carteiras exclusivas ou restritas, R$ 25 bilhões em fundos estruturados, R$ 83,4 bilhões estão em ações, R$ 166,1 bilhões estão em títulos de renda fixa, R$ 4,1 bilhões em caixa ou na poupança, R4 27,9 bilhões em previdência aberta, e R$ 1,2 bilhão em outros investimentos.
"Para 2013, os investidores ainda estão com ceticismo em relação ao aumento de risco em ações por causa de fatores locais e globais. Isso aponta a manutenção das posições protegidas em inflação como títulos com prêmio sobre o IPCA ou IGP-M", afirmou.
Data: 08.03.2013 Fonte: DCI
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