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Ilhas
de calor’ das cidades atraem tempestades e maioria não sabe como evitar
descargas
A quantidade de acidentes provocados por raios neste começo de ano tem deixado a população apreensiva. Somente em São Paulo, um cobrador de ônibus e uma turista morreram, em menos de cinco dias. Desde então, começou-se a questionar se essa maior incidência estaria relacionada à ausência de uma estrutura adequada de para-raios nas cidades, a qual pudesse evitar a ocorrência desses e de novos casos. Porém, para o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Osmar Pinto Júnior, o problema principal é a desinformação. O pesquisador explica que só há registros dos últimos 15 anos da incidência de raios no Brasil. As estatísticas desse período apontam um dado preocupante: das mais de mil mortes, 80% poderiam ter sido evitadas se as pessoas estivessem nas regras de proteção. Apenas 20% foram fatalidades. “Quando as pessoas estão a céu aberto, não é possível protegê-las com para-raios. O alcance deles é muito pequeno e praticamente se restringe a proteger edificações onde estão instalados. Então, em lugares abertos, como parques e campos de futebol, não há como proteger as pessoas. Já que não há como eliminarmos os raios, precisamos desenvolver nossa capacidade de conscientizar a população. A internet é um ótimo caminho, apesar do acesso restrito no Brasil”, explica Pinto Júnior. Com um trabalho de conscientização, os Estados Unidos conseguiram reduzir o número anual de mortes por raios – superior a 100, na década de 90 – para 26, ao longo de 15 anos. Por ser o maior país da zona tropical do planeta, região onde o Clima é mais quente, o Brasil está mais sujeito à formação de tempestades e é o país mais atingido por raios no mundo, chegando a receber 50 milhões de descargas elétricas por ano. Em média, 130 pessoas morrem e outras 500 ficam feridas anualmente, no país. O ano como maior registro de fatalidades foi 2001, com 193 ocorrências, quando houve o fenômeno LaNiña no Oceano Pacífico. Em 2008, o La Niña voltou a ocorrer, e foram registradas 160 mortes. “Ele favorece a chegada de frentes frias na região Sudeste, que, associada à maior umidade, devido à maior temperatura do Oceano Atlântico, propicia uma maior ocorrência de tempestades”, diz o pesquisador. Um estudo feito pelo Elat em 14 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes mostra que, nos últimos 60 anos, houve um aumento de 79% nos dias de tempestade em comparação à primeira metade do século XX. Em função da intensa urbanização, há uma elevação da temperatura nas grandes cidades. Esse fenômeno é conhecido como “ilhas de calor”. Junto coma Poluição gerada pelos veículos automotores, torna-se mais propícia a formação de raios. “As micro partículas presentes na Poluição atuam como núcleos de condensação e de congelamento, favorecendo a formação de gotículas de água e partículas de gelo dentro das tempestades, em alturas de 3 a 15 quilômetros. O choque das partículas de gelo entre si gera cargas elétricas, dando origem aos raios”, explica o coordenador do Elat. O pesquisador ressalta que essa elevação na incidência de tempestades só é observada nas grandes cidades. Em âmbito nacional, não há uma tendência de crescimento, apesar das Mudanças Climáticas. “Do ponto de vista teórico, o aumento de temperatura deve provocar aumento de raios. Mas, na prática, ainda não surtiram os efeitos esperados”, explica. Para Pinto Júnior, apesar dos acontecimentos recentes, não é possível dizer que está havendo uma variação anormal na incidência de raios em relação aos verões anteriores. “Nesses primeiros 15 dias do ano, houve um aumento de raios comparado a 2013. Mas esse aumento não significa, necessariamente, que teremos um verão com mais raios. Se nós pegarmos o mês de dezembro de 2013, houve menos raios que em dezembro de 2012. Por enquanto, está dentro das variabilidades dos raios e de uma normalidade. E neste ano não há a ocorrência do La Niña”, conclui.
22/01/2014 - BRASIL ECONÔMICO
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
MUITOS RAIOS E POUCA PROTEÇÃO
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