Seguradoras
se empenham em traçar perfil mais preciso possível para evitar perdas e
fraudes
Na hora
de fazer o seguro do automóvel, o CEP (Código de Endereçamento Postal) do
cliente pode fazer uma enorme diferença no preço da apólice. Na tentativa
de “praticar a justiça tarifária”, como chamam, as seguradoras se empenham
em criar perfis risco cada vez mais complexos para definir o quanto cada
cliente vai pagar anualmente.
E a
diferença no perfil dos clientes evoluiu muito além do clássico “mulher
paga menos porque se arrisca menos”. Hoje, detalhes como se o trabalho do
cliente tem estacionamento ou se o trajeto de casa para o trabalho passa
por determinada região, influenciam diretamente no custo.
“Quanto
mais complexo, mais justo vai ser”, afirma Arnaldo Odlevatti Júnior,
delegado regional do Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguro do
Estado de São Paulo). “No futuro, as seguradoras terão ferramentas ainda
mais precisas para mapear os riscos.”
De
acordo com Odlevati, as diferenças regionais são uma ferramenta legítima e
necessária, uma vez que as seguradoras trabalham com fundos que variam de acordo
com o número de sinistros, ou seja, quanto mais acidentes, roubos ou outros
danos houver, mais caro os segurados terão que pagar para repor o fundo da
seguradora e manter o serviço.
“Hoje
temos regiões com definição de perfil de risco, que se cruza com o do
condutor”, diz Odlevati. Por exemplo, em Diadema, onde ocorrem mais roubos
e furtos, o seguro de um gol é quase o dobro do preço do que o mesmo modelo
em Bauru.
“O valor
do carro não é determinante para o valor do seguro”, Não necessariamente,
pois às vezes, o seguro de uma Mercedes pode ser igual ou menor que o de um
Gol, porque o perfil do proprietário do Mercedes é diferente.
Seguradora coloca rastreador e dá cursos aos
segurados
Na mesma
linha de ampliar a complexidade do mapeamento do perfil dos condutores, a
seguradora Porto Seguro lançou na última semana um novo produto, que visa
mapear o comportamento dos clientes a fim de conceder descontos para os
usuários que se expuserem menos a situações de risco.
A
empresa formulou um plano de seguro para clientes entre 18 e 24 anos, que
leva em conta o comportamento do motorista. Além de instalar um rastreador
no veículo, a empresa oferece cursos para reforçar a atitude positiva dos
clientes. Os cursos de direção defensiva e direção emocional visam reforçar
atitudes e o controle emocional na direção, e ajuda no controle do
nervosismo e estresse, para prepará-los para situações no trânsito.
Fraudes representam 30% das perdas das
seguradoras
As
seguradoras somam que as perdas com fraudes podem chegar a 30% dos gastos
de uma empresa do ramo, de acordo com Arnaldo Odlevatti Júnior, delegado regional
do Sincor-SP. Ele afirma que as tentativas de enganar as seguradoras são
muitas, mas algumas se destacam tanto pela frequência quanto pela
dificuldade de solução dos casos.
Uma das
principais formas de tentar burlar o sistema das seguradoras é a inversão
de responsabilidade. Isso ocorre quando o segurado é a vítima em um
acidente de trânsito, como uma colisão traseira, e assume a culpa para ter
o resgate do prêmio do seguro.
Outra
forma de fraude muito usada é quando o usuário entrega o carro para um
desmanche e simula um roubo.
O peso do seguro no orçamento
Contratar
um seguro é uma maneira de proteger sua família e essa necessidade surge
diante das incertezas e riscos que corremos em nosso cotidiano. Essa
proteção tem um custo, chamado prêmio. É o que se paga para não correr o
risco de perder algo muito valioso ou para suportar melhor uma grande perda
material ou pessoal. Para avaliar se a contratação de seguros realmente
vale a pena é preciso apenas considerar quanto você gastaria se tivesse que
arcar com despesas provenientes de algum acidente de carro. Imprevistos
ocorrem frequentemente, mas suas consequências podem ser minimizadas.
MAIS
Alterar domicílio pode sair mais caro
A tentativa
de fraudar o seguro, declarando domicílio diferente do que realmente se tem
é uma opção que pode sair mais caro para o cliente, segundo Fernando
Damasco, diretor de Marketing da Gebram Seguradora. “Nos casos de sinistro,
o seguro abre uma sindicância e pode negar a cobertura”, afirma.
1% dos
casos de fraude podem ser provados
Fraudes descobertas e provadas são minoria
De
acordo com o delegado regional do Sincor-SP, Arnaldo Odlevati Júnior,
apenas 1% dos casos de fraude contra os seguros conseguem ser provados
pelas seguradoras a fim de que o cliente seja responsabilizado pelos custos
do sinistro.
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