quarta-feira, 16 de abril de 2014

BRASIL TEM UMA DAS PENSÕES MENOS SUSTENTÁVEIS DO MUNDO


Estudo conduzido por Renate Finke, economista sênior da unidade de Pensões Internacionais da Allianz Asset Management, na Alemanha, revela que a Austrália possui o sistema de pensão mais sustentável do mundo, em segundo lugar está o da Suécia e, em seguida, vem o da Nova Zelândia. Na outra ponta, dentre os três menos sustentáveis, aparecem os da Tailândia, Brasil e Japão.
“Uma boa classificação no índice não equivale a pagamentos de aposentadorias generosas, mas mostra que um sistema de pensões de um país será capaz de lidar com seus dados demográficos subjacentes. Em contrapartida, é preciso levar em consideração que as nações que figuram no extremo inferior do ranking estão lá por diversas razões”, afirma.
De acordo com o índice, o 50º lugar ocupado pela Tailândia está relacionado à idade extremamente baixa com que sua população se aposenta, além dessa estar envelhecendo rapidamente e o trabalho informal ser representativo no país.
Já o sistema de pensões no Brasil parece insustentável em longo prazo porque tem alta taxa de substituição, somada às opções de aposentadoria antecipada, ao número de idosos que cresce a passos largos e aos 13 pagamentos anuais, que geram estresse nas finanças públicas. Embora 60 e 65 anos sejam as idades legais para que brasileiras e brasileiros, respectivamente, se aposentem, a reforma efetiva é substancialmente mais baixa, quando considerado o tempo de contribuição, 30 e 35; isso sugere que elas podem começar a receber aposentadoria, em média, aos 50 anos e eles aos 55. Diante disso, projeta-se que em 2050, o número de pensionistas deverá aumentar 3,5 vezes. O Japão também aparece na parte inferior do ranking por causa da média de idade avançada da sua população e nível elevado da dívida soberana.
“As mudanças demográficas e seu impacto no sistema de pensão no Brasil é um tema que temos acompanhado de perto. A Allianz Seguros está engajada em promover o debate para desenvolvimento de novas políticas para fortalecer a sustentabilidade das pensões com o objetivo de melhorar índices financeiros e também de qualidade de vida”, ressalta Ingo Dietz, diretor executivo da Allianz Seguros.
Em outubro do ano passado, a seguradora promoveu uma série de eventos com Michael Heise, economista-chefe do Grupo Allianz, sobre o assunto. “A idéia é disseminar nosso expertise, trocar experiências e desenhar propostas e soluções de longo prazo adequadas à realidade de nosso país”, finaliza Dietz.
A posição de liderança da Austrália é conseqüência de uma estrutura dualista. Nesse país, a exemplo do que acontece nos EUA, no Reino Unido e na Irlanda, a receita pública cobre apenas as necessidades mais básicas, ou seja, evita a pobreza na velhice. Qualquer rendimento adicional, para manter certo padrão de vida, deve ser gerado a partir de fontes financiadas, por meio de capitalização. Ao mesmo tempo, a Austrália conta com a combinação da demografia favorável e boa gestão das finanças públicas.
O Índice de Sustentabilidade de Pensões da Allianz foi lançado em 2004. No entanto, a versão de 2014 traz pela primeira vez a análise de 50 países - passaram a ser contemplados Brasil, Chile, México, Malásia, Indonésia e África do Sul.
Desde o último estudo, em 2011, Grécia, Irlanda, Luxemburgo, Romênia, Singapura, Turquia e EUA foram capazes de subir mais de cinco posições no ranking. A melhora das perspectivas de envelhecimento, a introdução de reformas das pensões e o desenvolvimento econômico podem ser fatores que levaram a essa melhora. Croácia, França, Hong Kong, Malta, Eslovênia e Taiwan caíram significativamente na classificação. Dentre as razões estão a nova projeção de envelhecimento rápido da população e o atraso na realização de importantes reformas de pensões. 
O índice, ao analisar o sistema público de pensões, torna-se capaz de indicar a necessidade de um país em fazer reformas para manter a sustentabilidade financeira em longo prazo. Isso pode ser difícil de avaliar devido às especificidades institucionais, técnicas e jurídicas de cada nação. No entanto, há as principais variáveis, independentemente dessas diferenças. O índice usa subindicadores como a evolução demográfica, finanças públicas e projetos de sistemas de pensão para medir sistematicamente a sustentabilidade de um sistema de aposentadorias. Eles abrangem vários parâmetros para a situação atual e perspectivas futuras do sistema.

FONTE: SEG NOTÍCIAS 16/04/2014

Carlos Baros de Moura
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS
www.barrosdemoura.com.br

Nenhum comentário: