Novo modelo de gestão que a SEP quer implantar na
Codesp deve garantir maior rapidez administrativa para a estatal, defendem
especialistas
Companhia Docas deve ter o mesmo ritmo administrativo que os terminais
portuários e os armadores cujos navios escalam no cais santista, acredita o
professor Hélio Hallite
Uma administração com respostas rápidas, que garanta a eficiência do
Porto de Santos e a participação de todos os envolvidos na atividade portuária.
Este é o modelo de gestão que especialistas defendem para a Companhia Docas do
Estado
de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária santista.
A implantação de um novo estilo administrativo na empresa é a mais
recente prioridade da Secretaria de Portos (SEP). Para tanto, a pasta resolveu
até mesmo mudar o presidente da Docas. Na próxima quinta-feira, às 10h30, o
engenheiro Renato Barco deixa o cargo que ocupava desde junho de 2012, sendo
substituído de imediato pelo até então assessor especial da Casa Civil da
Presidência da República e engenheiro elétrico Angelino Caputo e Oliveira.
O novo modelo de gestão da Codesp deve buscar melhor integrar a logística
entre as cidades da região e entre os portos brasileiros e atrair cargas de
maior valor agregado e menor volume, defende o professor da Fundação Dom Cabral
e especialista em Gestão Portuária, Paulo Resende. Para ele, tais ações podem
permitir que o Porto otimize seu desempenho.
“A nova cultura deve ser de transformação do Porto de Santos em um
elemento estratégico da logística brasileira, não um simples porto de
movimentação de cargas na importação e na exportação”, afirma Resende.
O especialista defende parcerias com operadores logísticos e outros
complexos marítimos brasileiros, para que Santos siga como um porto
distribuidor de cargas. “É necessário firmar parcerias internacionais,
nacionais, comandar, liderar política e administrativamente as cidades da
Baixada Santista. Eu acho que é uma visão menos local e mais global. A
administração do porto evoluiu muito com o passar dos anos, mas ela está
olhando muito para dentro, como se o Porto de Santos fosse uma ilha.
Mas ele é um elemento estratégico para a logística brasileira e mundial”,
destacou Resende.
POLÍTICA
A preocupação com uma gestão baseada em indicações políticas é grande
entre professores universitários da região. Rodrigo Cardoso, coordenador do
curso de Gestão Portuária do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), tem
esse temor.
Ele espera que, com a nova cultura prometida pela SEP, a Codesp tenha uma
administração técnica e que o processo de fiscalização das atividades
portuárias seja efetivamente realizado.
“A Codesp é bastante importante para a região e para a Baixada Santista,
mas não é levada a sério por conta da interferência política (em sua gestão).
Espero que ele (o novo presidente da Docas, Angelino Caputo e Oliveira)
tenha um
corpo técnico eficiente ao seu lado e trabalhe em uniformidade com os
órgãos anuentes”, destacou o professor.
Para Hélio Hallite, professor do curso de Gestão Portuária da
Universidade Santa Cecília (Unisanta), serão grandes os desafios do novo
gestor. Um deles é a dificuldade de comandar uma empresa sem autonomia e que
precisa dar respostas rápidas à comunidade. “Porto, hoje, tem uma realidade
diferente. Navio chega de manhã e desatraca à tarde. Dragagem não pode demorar
isso tudo que demora hoje. Também temos expansão, reforço de cais. Isso sai da
área portuária e vai para o acesso. Não há perimetrais concluídas. Temos
problemas viários graves e existem muitas coisas atrasadas”, destacou o
professor.
A centralização das decisões administrativas em Brasília é outro ponto
criticado pelos especialistas em Gestão. Para eles, as decisões ligadas ao
Porto precisam ser tomadas por técnicos que acompanham a rotina do complexo.
“Administrar o Porto a partir de Brasília não deu certo há tempos atrás
e, agora, tentaram novamente essa estratégia. A atividade tem toda uma
complexidade logística, de comércio exterior, que envolve Banco Central,
Receita Federal. Por outro lado, se esse novo presidente é da área de TI, ele
terá facilidade para essa integração”, afirmou Julio Cesar Raymundo, coordenador
do curso de Gestão Portuária da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Santos.
CONSELHOS
Para os professores, o fato de o novo presidente da Codesp não ter
relação com o setor não é um grande obstáculo, desde que ele siga algumas
regras administrativas. Paulo Resende recomenda que Angelino Caputo deve ter
“muito jogo de cintura político, olhar estratégico e não deixar de lado as boa
premissas da gestão portuária, visando qualidade de serviços e uma tarifa
moderada. Eu diria que, para o Porto de Santos, o que está faltando realmente é
a criação de uma grande eficiência portuária porque o papel dele é indiscutível
no Brasil”.
Para Hallite, Caputo precisará se espelhar nos modelos de gestão dos
terminais e dos armadores, ligados às necessidades de qualidade e eficiência do
setor portuário. “Ou esta gestão tem o mesmo ritmo, ou ela vai continuar a
ficar dois passos para trás do setor privado”, destaca.
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POR: FERNANDA BALBINO
17/04/2014,
Carlos Barros de Moura
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS
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