terça-feira, 22 de abril de 2014

EFICIÊNCIA, O DESAFIO DO PORTO DE SANTOS




Novo modelo de gestão que a SEP quer implantar na Codesp deve garantir maior rapidez administrativa para a estatal, defendem especialistas

Companhia Docas deve ter o mesmo ritmo administrativo que os terminais portuários e os armadores cujos navios escalam no cais santista, acredita o professor Hélio Hallite
Uma administração com respostas rápidas, que garanta a eficiência do Porto de Santos e a participação de todos os envolvidos na atividade portuária. Este é o modelo de gestão que especialistas defendem para a Companhia Docas do Estado
de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária santista.

A implantação de um novo estilo administrativo na empresa é a mais recente prioridade da Secretaria de Portos (SEP). Para tanto, a pasta resolveu até mesmo mudar o presidente da Docas. Na próxima quinta-feira, às 10h30, o engenheiro Renato Barco deixa o cargo que ocupava desde junho de 2012, sendo substituído de imediato pelo até então assessor especial da Casa Civil da Presidência da República e engenheiro elétrico Angelino Caputo e Oliveira.

O novo modelo de gestão da Codesp deve buscar melhor integrar a logística entre as cidades da região e entre os portos brasileiros e atrair cargas de maior valor agregado e menor volume, defende o professor da Fundação Dom Cabral e especialista em Gestão Portuária, Paulo Resende. Para ele, tais ações podem permitir que o Porto otimize seu desempenho.

“A nova cultura deve ser de transformação do Porto de Santos em um elemento estratégico da logística brasileira, não um simples porto de movimentação de cargas na importação e na exportação”, afirma Resende.

O especialista defende parcerias com operadores logísticos e outros complexos marítimos brasileiros, para que Santos siga como um porto distribuidor de cargas. “É necessário firmar parcerias internacionais, nacionais, comandar, liderar política e administrativamente as cidades da Baixada Santista. Eu acho que é uma visão menos local e mais global. A administração do porto evoluiu muito com o passar dos anos, mas ela está olhando muito para dentro, como se o Porto de Santos fosse uma ilha.

Mas ele é um elemento estratégico para a logística brasileira e mundial”, destacou Resende.

POLÍTICA

A preocupação com uma gestão baseada em indicações políticas é grande entre professores universitários da região. Rodrigo Cardoso, coordenador do curso de Gestão Portuária do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), tem esse temor.

Ele espera que, com a nova cultura prometida pela SEP, a Codesp tenha uma administração técnica e que o processo de fiscalização das atividades portuárias seja efetivamente realizado.

“A Codesp é bastante importante para a região e para a Baixada Santista, mas não é levada a sério por conta da interferência política (em sua gestão).

Espero que ele (o novo presidente da Docas, Angelino Caputo e Oliveira) tenha um
corpo técnico eficiente ao seu lado e trabalhe em uniformidade com os órgãos anuentes”, destacou o professor.

Para Hélio Hallite, professor do curso de Gestão Portuária da Universidade Santa Cecília (Unisanta), serão grandes os desafios do novo gestor. Um deles é a dificuldade de comandar uma empresa sem autonomia e que precisa dar respostas rápidas à comunidade. “Porto, hoje, tem uma realidade diferente. Navio chega de manhã e desatraca à tarde. Dragagem não pode demorar isso tudo que demora hoje. Também temos expansão, reforço de cais. Isso sai da área portuária e vai para o acesso. Não há perimetrais concluídas. Temos problemas viários graves e existem muitas coisas atrasadas”, destacou o professor.

A centralização das decisões administrativas em Brasília é outro ponto criticado pelos especialistas em Gestão. Para eles, as decisões ligadas ao Porto precisam ser tomadas por técnicos que acompanham a rotina do complexo.

“Administrar o Porto a partir de Brasília não deu certo há tempos atrás e, agora, tentaram novamente essa estratégia. A atividade tem toda uma complexidade logística, de comércio exterior, que envolve Banco Central, Receita Federal. Por outro lado, se esse novo presidente é da área de TI, ele terá facilidade para essa integração”, afirmou Julio Cesar Raymundo, coordenador do curso de Gestão Portuária da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Santos.

CONSELHOS

Para os professores, o fato de o novo presidente da Codesp não ter relação com o setor não é um grande obstáculo, desde que ele siga algumas regras administrativas. Paulo Resende recomenda que Angelino Caputo deve ter “muito jogo de cintura político, olhar estratégico e não deixar de lado as boa premissas da gestão portuária, visando qualidade de serviços e uma tarifa moderada. Eu diria que, para o Porto de Santos, o que está faltando realmente é a criação de uma grande eficiência portuária porque o papel dele é indiscutível no Brasil”.

Para Hallite, Caputo precisará se espelhar nos modelos de gestão dos terminais e dos armadores, ligados às necessidades de qualidade e eficiência do setor portuário. “Ou esta gestão tem o mesmo ritmo, ou ela vai continuar a ficar dois passos para trás do setor privado”, destaca.

POR: FERNANDA BALBINO
17/04/2014,
Carlos Barros de Moura
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS

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