Na
medida em que os planos de saúde para pessoa física continuam perdendo
espaço para os corporativos, o papel das empresas na assistência médica
tem crescido. Dentro dos departamentos de recursos humanos, os gastos
com saúde são os segundo maiores - atrás apenas dos salários - e
representam cerca de 10% da folha de pagamento.
Nesse cenário, os
gestores de grandes empresas têm lutado para reduzir os custos
assistenciais por meio de ambulatórios eficientes, gestão de doentes
crônicos, bancos de dados elaborados e outras medidas. "As empresas
muitas vezes acham que contratar um plano de saúde é suficiente. Mas não
adianta delegar a responsabilidade", diz Milva Gois, diretora do grupo
de saúde corporativa da Associação Paulista de Recursos Humanos e de
Gestores de Pessoas (AAPSA).
Como os funcionários estão dentro
das empresas por grande parte do tempo, e as companhias contam com todas
as informações sobre a saúde dos colaboradores, há grande espaço para
uma gestão "mais adequada" em prol da saúde dos funcionários, afirma
Milva.
Na visão dela, muito da medicina ocupacional, que as
empresas cumprem por obrigação legal, poderia ser aproveitada para
aprimorar a saúde dos colaboradores. "Elas fazem pura e simplesmente
pela obrigação. Mas esses exames ocupacionais levantam uma série de
dados, que poderiam ser utilizados para implantar programas de saúde
muito mais ricos", acrescenta.
A parcela de beneficiários com
planos de saúde empresariais chegou a 78,7% em setembro de 2013, segundo
dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Dez anos atrás, a
parcela de pessoas com planos corporativas era de 60,9%.
Além do
crescimento dos planos empresariais em relação aos de pessoas físicas, o
montante gasto pelas empresas tem crescido por conta da inflação
médica. Em 2008, as companhias gastavam o equivalente a 9,31% da folha
de pagamento em saúde, segundo a consultoria Mercer Marsh, especializada
na análise de benefícios de recursos humanos. Para este ano, a
estimativa é que a parcela de gastos fique em torno de 11,4%.
A
alta da parcela gasta com assistência médica pelas empresas é fruto da
inflação médica, que fica entre 7 pontos percentuais acima da taxa de
inflação oficial, diz o consultor sênior da área de saúde corporativa da
Mercer Marsh, Francisco Bruno. Quer dizer, enquanto a inflação oficial
fica perto de 6%, a médica chega a 13% ou mais. Para Francisco, essa
alta acompanha a incorporação de novas tecnologias e procedimentos que
são incluídos anualmente nas obrigações dos planos de saúde, que por sua
vez acabam repassando os novos custos.
Gestão de saúde populacional
Para
enfrentar a disparada dos gastos médicos, grandes empresas têm
investido no que se chama de gestão de saúde populacional. A metodologia
consiste em dividir determinada população - como a de uma empresa - em
diferentes grupos de risco para que se possa fazer a prevenção adequada
das doenças, evitando tratamentos emergenciais de casos graves, que são
os de maior custo.
Como os planos de saúde corporativos são
reajustados anualmente de acordo com a frequência do uso de tratamentos
médicos - para planos de pessoa física esse reajuste não é permitido -,
as empresas têm um forte estímulo financeiro para racionalizar a demanda
por atendimento.
Uma entidade que trabalha para propagar
práticas eficientes nesse sentido é a Aliança para a Saúde Populacional
(Asap), composta por 34 empresas de grandes porte. "Campanhas para
desestimular o fumo, o sedentarismo e evitar a obesidade estão entre as
mais comuns", afirma o presidente da entidade, Paulo Marcos Senra Souza,
que também é executivo da Amil.
Exemplo disso, as empresas que
proibiram o fumo em certas áreas acabam conseguindo reduzir muito as
consequências da prática, diz ele. "Elas diminuíram a chance de câncer
em vários órgãos, doenças pulmonares, agravamento de asma e vários
outros problemas."
Outro fator que preocupa é o envelhecimento da
população, diz o executivo. "Em 2013 serão 30 milhões de pessoas no
Brasil com mais de 60. Em 2050, a terceira idade será maior que os com
menos de 18 anos. O que fazemos para garantir um envelhecimento saudável
dessas pessoas?"
Doentes crônicos
Dentro do raciocínio da
gestão de saúde populacional, o foco na gestão de doentes crônicos,
como os diabéticos ou hipertensos, tem trazido resultados fortes. "Nos
primeiros dois anos, consegue-se reduzir de 10% a 15% os custos com
esses doentes. É um valor alto, já que essa parcela da população
representa quase um terço dos custos", afirma Michel Daud, do conselho
diretor da Asap e que foi gestor de saúde da Telefónica Vivo por 28
anos.
Segundo ele, o objetivo é tratar o paciente antes da
internação, já que cada uma chega a custar entre R$ 30 mil e R$ 40 mil
no caso de um doente crônico. Outra técnica defendida por Daud é o
índice de resolução dos casos.
Para Michel Daud, pode ser melhor
optar por um tratamento que inicialmente é caro, mas que cura o
paciente, do que por outro que posterga a solução do caso e pode
terminar em uma internação.
Na Siemens, uma das iniciativas de
gestão de saúde populacional é o acompanhamento dermatológico. "O câncer
de pele é o tipo mais comum no País. Com o programa temos diminuído o
número de casos de câncer de pele", diz a gerente de medicina da Siemens
no Brasil, Maria Cristina Nader. Ela ressalta que a análise de pintas
nos ambulatórios da empresa leva à remissão completa do quadro, em
certos casos.
Com cerca de 22 mil vidas, entre colaboradores e
dependentes, a Siemens do Brasil também aposta em gestão de crônicos,
ambulatórios, exames para rastreamento precoce de doenças,
acompanhamento de especialistas e outros. "O primeiro passo é sempre
conhecer a população, e de preferência não deixar que as pessoas
adoeçam. Caso contrário, o diagnóstico deve ser o mais rápido possível.
Essa é a filosofia."
FONTE: 28/04/2014 - DC Roberto Dumke
Carlos Barros de Moura
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS
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