segunda-feira, 28 de abril de 2014

GESTÃO REDUZ CUSTO DAS EMPRESAS COM SAÚDE



Na medida em que os planos de saúde para pessoa física continuam perdendo espaço para os corporativos, o papel das empresas na assistência médica tem crescido. Dentro dos departamentos de recursos humanos, os gastos com saúde são os segundo maiores - atrás apenas dos salários - e representam cerca de 10% da folha de pagamento.
Nesse cenário, os gestores de grandes empresas têm lutado para reduzir os custos assistenciais por meio de ambulatórios eficientes, gestão de doentes crônicos, bancos de dados elaborados e outras medidas. "As empresas muitas vezes acham que contratar um plano de saúde é suficiente. Mas não adianta delegar a responsabilidade", diz Milva Gois, diretora do grupo de saúde corporativa da Associação Paulista de Recursos Humanos e de Gestores de Pessoas (AAPSA).
Como os funcionários estão dentro das empresas por grande parte do tempo, e as companhias contam com todas as informações sobre a saúde dos colaboradores, há grande espaço para uma gestão "mais adequada" em prol da saúde dos funcionários, afirma Milva.
Na visão dela, muito da medicina ocupacional, que as empresas cumprem por obrigação legal, poderia ser aproveitada para aprimorar a saúde dos colaboradores. "Elas fazem pura e simplesmente pela obrigação. Mas esses exames ocupacionais levantam uma série de dados, que poderiam ser utilizados para implantar programas de saúde muito mais ricos", acrescenta.

A parcela de beneficiários com planos de saúde empresariais chegou a 78,7% em setembro de 2013, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Dez anos atrás, a parcela de pessoas com planos corporativas era de 60,9%.

Além do crescimento dos planos empresariais em relação aos de pessoas físicas, o montante gasto pelas empresas tem crescido por conta da inflação médica. Em 2008, as companhias gastavam o equivalente a 9,31% da folha de pagamento em saúde, segundo a consultoria Mercer Marsh, especializada na análise de benefícios de recursos humanos. Para este ano, a estimativa é que a parcela de gastos fique em torno de 11,4%.

A alta da parcela gasta com assistência médica pelas empresas é fruto da inflação médica, que fica entre 7 pontos percentuais acima da taxa de inflação oficial, diz o consultor sênior da área de saúde corporativa da Mercer Marsh, Francisco Bruno. Quer dizer, enquanto a inflação oficial fica perto de 6%, a médica chega a 13% ou mais. Para Francisco, essa alta acompanha a incorporação de novas tecnologias e procedimentos que são incluídos anualmente nas obrigações dos planos de saúde, que por sua vez acabam repassando os novos custos.

Gestão de saúde populacional

Para enfrentar a disparada dos gastos médicos, grandes empresas têm investido no que se chama de gestão de saúde populacional. A metodologia consiste em dividir determinada população - como a de uma empresa - em diferentes grupos de risco para que se possa fazer a prevenção adequada das doenças, evitando tratamentos emergenciais de casos graves, que são os de maior custo.
Como os planos de saúde corporativos são reajustados anualmente de acordo com a frequência do uso de tratamentos médicos - para planos de pessoa física esse reajuste não é permitido -, as empresas têm um forte estímulo financeiro para racionalizar a demanda por atendimento.
Uma entidade que trabalha para propagar práticas eficientes nesse sentido é a Aliança para a Saúde Populacional (Asap), composta por 34 empresas de grandes porte. "Campanhas para desestimular o fumo, o sedentarismo e evitar a obesidade estão entre as mais comuns", afirma o presidente da entidade, Paulo Marcos Senra Souza, que também é executivo da Amil.
Exemplo disso, as empresas que proibiram o fumo em certas áreas acabam conseguindo reduzir muito as consequências da prática, diz ele. "Elas diminuíram a chance de câncer em vários órgãos, doenças pulmonares, agravamento de asma e vários outros problemas."

Outro fator que preocupa é o envelhecimento da população, diz o executivo. "Em 2013 serão 30 milhões de pessoas no Brasil com mais de 60. Em 2050, a terceira idade será maior que os com menos de 18 anos. O que fazemos para garantir um envelhecimento saudável dessas pessoas?"
Doentes crônicos
Dentro do raciocínio da gestão de saúde populacional, o foco na gestão de doentes crônicos, como os diabéticos ou hipertensos, tem trazido resultados fortes. "Nos primeiros dois anos, consegue-se reduzir de 10% a 15% os custos com esses doentes. É um valor alto, já que essa parcela da população representa quase um terço dos custos", afirma Michel Daud, do conselho diretor da Asap e que foi gestor de saúde da Telefónica Vivo por 28 anos.
Segundo ele, o objetivo é tratar o paciente antes da internação, já que cada uma chega a custar entre R$ 30 mil e R$ 40 mil no caso de um doente crônico. Outra técnica defendida por Daud é o índice de resolução dos casos.

Para Michel Daud, pode ser melhor optar por um tratamento que inicialmente é caro, mas que cura o paciente, do que por outro que posterga a solução do caso e pode terminar em uma internação.
Na Siemens, uma das iniciativas de gestão de saúde populacional é o acompanhamento dermatológico. "O câncer de pele é o tipo mais comum no País. Com o programa temos diminuído o número de casos de câncer de pele", diz a gerente de medicina da Siemens no Brasil, Maria Cristina Nader. Ela ressalta que a análise de pintas nos ambulatórios da empresa leva à remissão completa do quadro, em certos casos.

Com cerca de 22 mil vidas, entre colaboradores e dependentes, a Siemens do Brasil também aposta em gestão de crônicos, ambulatórios, exames para rastreamento precoce de doenças, acompanhamento de especialistas e outros. "O primeiro passo é sempre conhecer a população, e de preferência não deixar que as pessoas adoeçam. Caso contrário, o diagnóstico deve ser o mais rápido possível. Essa é a filosofia." 

FONTE: 28/04/2014 - DC Roberto Dumke

Carlos Barros de Moura
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS

 

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