Em
seminário na Câmara dos Deputados, representantes do setor afirmam que
roubo de cargas cresceu em 2013, trazendo um prejuízo de R$ 1 bilhão.
Projeção
divulgada nesta quarta-feira (16) em seminário na Câmara dos Deputados
aponta que o número de roubos de cargas de caminhões em todo o Brasil
continua aumentando. Estima-se que, em 2013, os casos de roubos de
cargas tenham chegado a 15,2 mil, superando o ano de 2012, quando foram
registrados 14,4 mil.
A estimativa foi divulgada pelo assessor de
Segurança da Associação Nacional dos Transportadores de Carga e
Logística (NTC), coronel Paulo Roberto Souza, durante o 14º Seminário
Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas. O evento foi promovido
pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara.
De acordo com o
Paulo Roberto Souza, os dados de 2013 ainda não foram fechados, porque a
associação está aguardando informações de alguns estados. O prejuízo às
empresas com os roubos de cargas deve ter chegado a R$ 1 bilhão no ano
passado.
A maior incidência desse crime está na região Sudeste:
aproximadamente 52% dos casos no estado de São Paulo e 23% no do Rio de
Janeiro.
Mudança na legislação
Para reduzir o número de
ocorrências, representantes do setor defenderam, durante o seminário,
mudanças na legislação. Uma delas é o aumento da pena para quem recebe
as cargas roubadas. Atualmente, por ser considerado um crime de menor
potencial ofensivo, a receptação de cargas roubadas só leva uma pessoa à
prisão depois de uma longa investigação criminal, quando se prova que é
um crime qualificado.
Normalmente, o receptador, mesmo preso em
flagrante, é solto em seguida, pois a legislação permite, desde 2012,
que pessoas que cometem crimes com penas de prisão de um a quatro anos
respondam ao processo em liberdade. Paulo Roberto Souza afirma que isso
prejudicou muito o setor de transporte de cargas e citou um caso
ocorrido em São Paulo no ano passado.
"Esse marginal foi preso
roubando carga. Quando olharam a ficha dele, era a 32ª vez que dava
entrada pelo mesmo crime. Como é que esse homem está solto? A lei é
essa”, afirmou.
Representantes do setor de transporte de cargas
também pediram a aprovação de um projeto em análise na Câmara (PL
1778/11), do deputado Guilherme Campos (PSD-SP), que permite a cassação
do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de empresas envolvidas na
receptação de mercadorias roubadas. A ressalva é para o período da
cassação: o projeto prevê 180 dias, mas o setor de transporte de cargas
espera que esse prazo seja aumentado para cinco anos.
Discussão
O
presidente da Comissão de Viação e Transportes, deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB-SP), apoiou as reivindicações do setor. "Não adianta você
prender o ladrão. Tem que prender quem dá vazão ao roubo que o ladrão
faz - e isso é o receptador. É uma coisa que ficou clara e eles têm
razão de cobrar isso”, disse faria de Sá.
O deputado disse ainda
que a cassação do CNPJ, como previsto no PL 1778, “é extremamente
importante”. “Nós vamos discutir essa questão na comissão, no sentido de
melhorar essa situação”.
O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) foi
o autor do requerimento para a realização do seminário sobre o
transporte rodoviário de cargas. Ele lamentou a ausência de autoridades
do governo federal no evento, que, segundo ele, mostrou as deficiências
na infraestrutura do País.
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