Dependente do modal rodoviário, em seguro de Transporte companhias enfrentam os gargalos de infraestrutura, competitividade acirrada, mas com grandes práticas de ferramentas de gestão
O Brasil possui uma extensão territorial
superior a 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Sendo considerado um País
continental, os gargalos em infraestrutura e principalmente a forte
concentração do transporte de cargas pelo modal rodoviário são reflexos de
políticas adotadas no passado de baixo investimento e desatenção.
Investe-se por aqui, em média, 0,6% do PIB
em logística de transporte, enquanto em países também considerados emergentes
esse percentual chega a 3,5%. Como consequência, o custo logístico no Brasil,
estimado em 12,8% do PIB, é superior ao dos Estados Unidos (8,2% do PIB) e de
países europeus (9% do PIB), segundo a Associação Brasileira de Logística
(Abralog).
Incluem no peso logístico os altos índices
do roubo de carga no País e a precária situação das estradas e rodovias. Em
2013, a Associação Nacional dos Transportadores de Carga e Logística (NTC)
estima que os prejuízos com roubo de carga tenham somado R$ 1 bilhão, com 15,2
mil registros em todo o País (ante 14,4 mil em 2012), número que não conta os
roubos e furtos não declarados.
De um lado, o Governo Federal, entre
outros tantos planos já anunciados, promete com o Programa de Investimento em
Logística (PIL) injetar R$ 240 bilhões em projetos na área no Brasil para que
neste ano a taxa de investimentos em logística chegue a 1% do PIB e, em 2018, a
22,2% do PIB. De outro, as companhias que atuam com seguro de Transportes
enfrentam as oscilações do mercado, já que o segmento é influenciado
diretamente pelo crescimento econômico, e com a concorrência desleal de taxas
praticadas. Sidney Cesare, superintendente de Transportes da Berkley, sintetiza
este cenário: “chegamos ao limite de redução nas taxas, pois a consequência é o
aumento no índice de sinistralidade e esta conta não fecha”, pontua.
Panorama atual
Diretor de Seguros de Transporte da Argo
Seguros Brasil, Salvatore Junior explica que o setor de seguro de cargas está
diretamente ligado à economia e nele são ofertados coberturas de seguro para
todo o segmento de comércio exterior: importadores, exportadores e,
principalmente, apólices para garantir a distribuição nacional de mercadorias.
“Que denominamos seguros para os fabricantes ou embarcadores”, especifica.
Segundo ele, o seguro para os
transportadores é a principal fonte de arrecadação de prêmios para as
seguradoras que atuam neste setor, pois corresponde a 40% do total de prêmios
arrecadados nesta modalidade. Em números, Tiago Camillo, gerente de apoio
técnico de Seguros de Transporte Aero/Casco do Grupo BB e Mapfre, expõe que
conforme o último balanço da Susep, referente a janeiro e novembro de 2013, o
mercado de seguros de Transportes registrou cerca de R$ 2,5 bilhões em prêmios
emitidos.
“É um segmento que cresce, em média, 10%
ao ano no Grupo BB e Mapfre. O índice de sinistralidade acompanha esse
comportamento da carteira, e as perspectivas para o setor são positivas,
considerando os reflexos dos investimentos e realização de grandes eventos no
País”, acrescenta.
Na análise de Adailton Dias, diretor
técnico da RSA Seguros, “nos últimos cinco anos o mercado apresentou
crescimento médio anual de 7,6% e, nos últimos dois anos, essa taxa foi ainda
mais baixa. Entre os principais fatores que influenciam esta carteira estão a
economia, a competitividade de mercado e as determinações de órgãos reguladores
e de ordem do setor”, comenta.
No cenário vivenciado no Brasil, para
Erika Medici, superintendente executiva de Ramos Elementares da SulAmérica, as
perspectivas para os seguros de Transportes são positivas. “O crescimento
econômico do País determina o ritmo de valorização desse segmento e, recentemente,
a migração de consumidores das classes C e D aumentou a demanda por diversos
bens de consumo e matérias primas que precisam ser transportadas, tanto nos
percursos preliminares e complementares no âmbito da importação e exportação,
como na distribuição/transferência no território nacional”, diz.
Gerente de Transporte da AIG, Rodrigo
Vieira complementa que o potencial do seguro de Transportes está relacionado à
geração de valor agregado ao produto de seguro, trazendo soluções para riscos
novos (que acompanhem as práticas comerciais, legislações ou consultoria). “A
AIG destaca-se neste cenário, desenvolvendo soluções em riscos, tais como RC
Ambiental para transportes, consultoria especializada (com expertise
internacional) em gestão de riscos, e suporte global para a tranquilidade de
nossos clientes”, afirma.
Margem promissora
Diretor técnico de Transportes da Yasuda
Marítima Seguros, João Carlos França de Mendonça, comenta que acompanhando a
análise de alguns especialistas de mercado, nota-se que o Brasil ainda possui
uma margem de crescimento bem promissora para o seguro de Transportes. “O País
está no radar de grandes seguradores e resseguradores internacionais sendo,
para a maioria destes, um dos principais países com potencial de crescimento e
investimentos, em virtude dos projetos de grandes obras de infraestrutura”,
sintetiza.
Assim como Erika Medici, ele também valida
como ponto favorável a estabilização econômica dos últimos anos, o que fez com
que novos consumidores tivessem acesso a bens de consumo duráveis. “Isso
viabilizou o incremento na produção e consequente necessidade de distribuição
destes produtos. Dessa forma, as empresas passaram a buscar mais amparo
securitário para as mercadorias transportadas”, valida.
Como uma expectativa positiva para o
seguro de Transportes, Dias, da RSA Seguros, destaca a maior regulamentação na
legislação. “Recentemente, vimos órgãos como a Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) e a Susep trabalhando juntos no sentido de enfatizarem a
obrigatoriedade dos seguros de RCTR-C - Seguro de Responsabilidade Civil do
Transportador Rodoviário Carga.”
Como consequência, prevê ele, “essa maior
regulamentação na legislação gera uma expectativa positiva para o mercado, e
com essas novas normativas espera-se que as seguradoras com maior conhecimento
no segmento de Transportes se diferenciem e ofereçam melhor suporte a seus
clientes”.
Operacionalidade
Mesmo com potencial e uma margem
promissora, as companhias ponderam para que haja resultados nas operações,
deixando de entrar no jogo de guerra de preços. Na Chubb Seguros, por exemplo,
o gerente de Transportes, Ricardo Beyer conta que a companhia faz um trabalho
de conscientização junto aos corretores de seguros e, consequentemente, com os
clientes para mostrar que o mais importante é a prestação de serviço.
“Quando se pratica taxas baixas, um prêmio
que não se remunera a operação, o cliente fica com uma imagem que não é real. É
fundamental que mostremos isso aos corretores de seguros. Na Chubb, por
exemplo, a parcela mais importante da carteira (clientes) já tem esta
conscientização”, afirma.
Assim como na Chubb, o peso maior na
Liberty Seguros, entre crescimento e resultado, está exatamente no resultado.
Tanto que há mais de um ano a companhia passou por uma verdadeira limpeza na
carteira de Transporte. “Quando eu assumi a carteira, no final de 2012, começo
de 2013, o portfólio era dividido em 50% transportador e 50% embarcador. Essa
divisão continua, mas com algumas mudanças. Nós tínhamos, por exemplo, o
segmento de eletrônico, que tem um índice de roubo astronômico, com grande peso
na carteira.
Fizemos uma limpeza, novas parcerias com corretores que não trabalhávamos
e diversificamos a carteira”, conta Marcelo Anacleto, diretor de Transporte da
seguradora.
Como resultado, a Liberty cresceu 19% na
carteira de Transporte em 2013 e reduziu a taxa de sinistralidade de 68% em
2012, para 54% no ano passado. “Em 2012, por exemplo, nós tivemos o pior
resultado em toda a carteira, acima do mercado (60%) e em 2013, o nosso índice
ficou menor que o do mercado (59%)”, compara. Um resultado semelhante à
carteira do segmento na Yasuda. “Apesar de a acirrada concorrência, a companhia
encerrou o período com um grande resultado. A sinistralidade fechou em 53%,
contra 59% do mercado”, compara Mendonça. Os resultados de ambas as companhias
se referem até o final de novembro, conforme último balanço divulgado pela
Susep.
Destaque também para a Berkley. Cesare
conta que a carteira de Transportes da companhia figurou entre os melhores
índices de sinistralidade do mercado. “No ano passado houve um desenvolvimento
considerável nos produtos de transporte nacional e internacional direcionados a
embarcadores, nosso foco de negócios”, diz, ao acrescentar que também o
primeiro trimestre deste ano foi excelente em termos de resultado e crescimento
para a Berkley.
“Porém, trata-se de um ano particular devido à Copa do Mundo,
Eleições. Nós precisamos de atenção principalmente no que tange à prevenção de
perdas”, alerta.
Gerente de Transporte da Porto Seguro,
Rose Matos informa que o crescimento da carteira segue influenciado pela
demanda econômica. “É um momento de estabilidade para o seguro de Transporte, o
mercado fechou 2013 com um crescimento muito pequeno. Nos últimos dois anos, a
expansão ficou em 7,7%. Analisando ano a ano percebemos que houve até um
decréscimo. Como é um mercado influenciado pelo crescimento da economia, quando
há muitos embarques, por exemplo, o faturamento cresce mais”, compara.
Segundo ela, na carteira da companhia,
assim como nas seguradoras que atuam neste segmento, o peso maior é para os
transportadores e embarcadores que utilizam o modal rodoviário. “A carteira é
praticamente rodoviário, mas fazemos também extensão fluvial, na região
Amazônica, quando falamos de transporte nacional. No transporte internacional,
incluindo os modais aéreo, marítimo e rodoviário, principalmente no Mercosul,
temos uma demanda ainda pequena, quando comparado a um movimento maior que há
para o transporte marítimo intercontinental. Mas, mesmo assim, com uma
retração, como reflexo da economia”, avalia.
Sob controle
A adoção de taxas competitivas em relação
ao mercado, utilizando como critérios a margem bruta e o nível de
sinistralidade do ramo, tem sido o mecanismo da SulAmérica para garantir a
rentabilidade da carteira. “Em 2013, a nossa sinistralidade apresentou equilíbrio
em relação à margem bruta e a receita emitida em prêmios. Já nos primeiros
meses deste ano houve melhoras significativas no resultado da carteira de
Transportes e a nossa perspectiva é aumentar ainda mais nossa participação no
mercado, mantendo a sinistralidade da carteira controlada”, diz Erika Medici.
No Grupo BB e Mapfre, Tiago Camillo diz
que por se tratar de um mercado de extrema competitividade, em virtude de
diversas companhias já consolidadas no ramo, além do crescimento das operações
das novas seguradoras, ano após ano, o seguro de Transportes tem sofrido quedas
significativas na taxação dos riscos. E apesar dos percalços, a carteira na
companhia está em alta. “Ela tem crescido cerca de 10% ao ano. Somente em 2013
foram R$ 240 milhões de prêmios emitidos”, expõe e complementa que a carteira
com maior representatividade da companhia é a de Responsabilidade Civil (60%),
seguida por Transporte Nacional (23%) e Transporte Internacional (7%).
Salvatore Junior, da Argo, acrescenta que
“as taxas para o setor de transportadores apresentam pequena redução, ao
contrário das taxas para o transporte nacional, seguro para embarcadores e
ainda seguro para importadores e exportadores, que têm apresentado forte
redução. Não é um número preciso, mas acredito que a redução esteja variando
entre -5% a -8% sobre o total de prêmios emitidos”.
Na AIG, Vieira informa que entre 2012 e
2013, o crescimento da carteira de Transporte foi de 35%. Como comparativo, ele
cita que no portfólio, entre os dois anos, os seguros Internacionais passaram
de uma participação de 38% para 34%; Transportes Nacionais, de 54% para 43%;
RC’s de Transportadores, de 2% para 10% e Operadores Portuários, de uma
participação de 6% para 13%. “E nós avançamos bastante na equação que determina
as taxas para um risco. Em questões atuariais, aprofundamos muito o critério de
análise e evoluímos ao distinguir os segurados não somente pelo tipo de
mercadoria que transportam ou pelo percurso que realizam”, exemplifica.
Já Adailton Dias, da RSA Seguros, conta
que nos últimos cinco anos a carteira de Transportes da companhia cresceu 12%,
com resultado satisfatório no ano passado, e antecipa os planos para este ano.
“A nossa estratégia é retenção de portfólio e a busca por novas contas
estratégicas. No início do ano, trabalhamos na reestruturação de equipe de
Transportes e com a área remodelada, espera-se aumentar a eficácia do
atendimento da companhia e sinergia na entrega aos corretores”, antecipa.
Taxas mais justas
Como ponto de atenção, Rose Matos, da Porto
Seguro, destaca que o mercado como um todo precisa se atentar à precificação do
risco. “Muitas vezes nós percebemos que a economia não está crescendo, mas
também existe uma política interna de mercado que é muito predatória, a
concorrência é grande. Às vezes não vemos um crescimento maior, até porque
quando se renova um seguro, trabalha-se a taxa e perde-se para a concorrência.
Principalmente quando vivemos esse problema econômico (baixa taxa de
crescimento), a predação de taxa é muito maior”, analisa.
Por taxas mais adequadas, Marcelo
Anacleto, da Liberty, defende que deveria haver mais discussões e informações
da carteira em geral, entre os players do setor. “O mercado tem trabalhado com
margens pequenas e subprecificação. Nós temos uma Comissão na CNseg, preço é
uma deliberação de cada companhia, mas deveríamos chegar a um nível mais maduro
de discussão e de informação da carteira, como há com o seguro de Automóvel em
que as companhias se conversam (Registro Nacional de Sinistro)”, sugere.
João Mendonça, da Yasuda Marítima Seguros,
também defende a necessidade de equilíbrio da carteira. “As seguradoras vêm
reduzindo as taxas de seguro e pressionando suas margens para a busca do
crescimento, mas somente isso não surtirá o efeito esperado. É preciso que outros
serviços agregados sejam ofertados aos corretores e segurados. Para um
crescimento sustentável deve haver um equilíbrio e controle das operações, e um
dos fatores que incrementaram esse controle foi a aplicação e gestão em
gerenciamento de riscos”, avalia.
Como reflexo, diz Adailton Dias, da RSA,
“atualmente o mercado de seguros de transporte no Brasil está bastante
competitivo. As grandes empresas estão revendo os seus custos em todos os
quesitos, o que inclui também a contratação dos seguros, fazendo com que as
companhias seguradoras reduzam suas taxas, contribuindo assim para um panorama
de grande concorrência e elevação do percentual de sinistralidade”, comenta.
Rodrigo Vieira, da AIG, complementa:
“fatores como a abertura do mercado de resseguros, o crescimento do mercado de
seguros em relação ao PIB, elevação do poder aquisitivo da população e também
as obras de infraestrutura, atraíram muitas companhias internacionais e
acirraram a concorrência neste mercado. Hoje são praticamente 26 competidores neste
mercado e a diferença de market share é ínfima, entre os 10 primeiros do
ranking”, avalia.
Além dos fatores citados acima, Vieira
inclui o elevado número de novos corretores especializados no setor e as fusões
e aquisições que geraram novos grandes grupos corretores neste mercado. “Diante
deste cenário, e também das estratégias adotadas pelas diversas seguradoras, os
resultados financeiros nos últimos três anos não foram como esperado. No
entanto, acreditamos que os próximos dois anos serão de diversos ajustes, com
grande potencial de crescimento e resultados positivos”, prevê.
Gargalos e desafios
Preponderantemente dominado pelo modal
rodoviário e com a promessa do Governo Federal de reduzir esta participação, o
transporte de carga no Brasil tem custo elevado e alto risco. Ricardo Beyer, da
Chubb Seguros, torce para que esta realidade mude. “Com os investimentos
anunciados temos um cenário promissor, mas não acredito que as mudanças
aconteçam em curto prazo”, diz, referindo-se à redução significativa do modal
rodoviário, atualmente acima de 61% do transporte de cargas no Brasil, em prol
de outros modais.
Para ele, uma evolução notória que tem
sido percebida na companhia é a própria iniciativa dos clientes em buscarem
soluções e formatos para distribuírem melhor o escoamento de sua produção. “Nós
temos grandes clientes na Chubb, como produtores de soja, começando a fazer
estudos para escoar a produção pela cabotagem, o que já é um avanço, pois a
exposição ao risco é menor, se comparado ao transporte rodoviário”, cita.
Mendonça, da Yasuda Marítima, exemplifica
que no ano passado, até novembro, conforme dados da Susep, as seguradoras
desembolsaram mais de R$ 1,5 bilhão em indenizações. “Um país de dimensões
continentais como o Brasil precisa distribuir melhor o transporte de
mercadorias entre os modais. É preciso mais investimentos em transporte
ferroviário e aquaviário, que além de mais viáveis economicamente, são meios de
transportes menos poluidores e com maior capacidade de transportes”, defende.
Já Dias, da RSA, comenta que em países
mais maduros, como o mercado norte-americano, o índice de roubo de cargas é
mais baixo e as condições de transporte são melhores e mais diversificadas. “Já
o Brasil é caracterizado por um mercado de transportes mais complexo, com
grande dependência da rede rodoviária, maior índice de roubos e condições
gerais mais precárias do setor”, compara.
Para Sidney Cesare, da Berkley, os
problemas de infraestrutura logística do País e as tendências econômicas
desfavoráveis acarretam em imprevisibilidades que fundamentam a necessidade do
seguro de cargas. “Trata-se de uma carteira extremamente dinâmica que requer
soluções rápidas das seguradoras e investimentos estratégicos das empresas para
mitigação dos riscos”, ressalta.
Cenário que os clientes da AIG indica como
desfavorável em termos de competitividade. “Eles apontam como um problema
recorrente a falta de opções em modais logísticos, tanto pela falta de mão de
obra qualificada, quanto pela concorrência pesada enfrentada pelos transportadores,
já que o serviço não é mais limitado ao deslocamento de mercadorias, mas também
em processos de gestão de cadeia, armazenamento, implantação de sistemas de
controle, automatização de embalagens, entre outros”, informa Rodrigo Vieira.
Gestão de riscos
Nos últimos anos, passou a se falar mais
em gerenciamento de riscos. Porém, o que faz a diferença é ter uma gestão
eficiente. Sabemos que o gerenciamento de risco começou de forma intensiva na
indústria de transportes, a partir dos anos de 1980 e as seguradoras tiveram um
papel importante em criar esta cultura, pois passaram a fazer restrições na
aceitação de riscos para que melhores práticas fossem aplicadas.
Segundo especialistas, além de boa parte do
faturamento das empresas ser consumido com o gerenciamento de riscos, muitas
delas já se conscientizaram que não basta contratar um seguro e ter uma
indenização; há o preço pela imagem da empresa quando ocorre um sinistro. Por
isso, as empresas precisam agir com conceitos mais sofisticados, na busca de gestão
inteligente.
Uma inteligência que pode ser comparada a
um diagnóstico com a adoção de um antibiótico. É preciso identificar o problema
e propor uma solução completa, que pode ser o rastreamento, a seleção de
motoristas, escoltas, entre outros. São várias ferramentas que existem para
minimizar os riscos (gerenciamento) que devem ser avaliadas (gestão), conforme
as necessidades e atividades do transportador ou embarcador.
Sobre a evolução do produto, mesmo com a
abertura do mercado ressegurador, pouco mudou se comparado a outros ramos. Algumas
linhas evoluíram bastante, foram desenvolvidos novos produtos e precificaram
bastante, o que não ocorreu no Transporte. Isso chegou a tal ponto que uma
empresa com uma cadeia logística mais complexa não consegue colher tantos
frutos com investimentos em gestão, ou seja, os investimentos não se refletem
adequadamente na solução de seguros. Por isso, a resposta é inovar.
Tiago Camillo, do Grupo BB e Mapfre,
concorda: “não há evolução em termos de produtos. O que está ocorrendo é que a
gestão do risco antes era vista como um produto vendido pela seguradora, mas
hoje muitas empresas já visualizam o gerenciamento de risco como uma ferramenta
de prevenção da gestão logística” informa. Para Erika Medici, da SulAmérica, as
evoluções ocorreram de forma moderada. “Ainda há um grande campo para
desenvolvimento, principalmente na gestão de riscos para prevenção de
acidentes”, complementa.
João Mendonça, da Yasuda Marítima, conta
que, inicialmente, as seguradoras estavam focadas em buscar mecanismos de
gerenciamento de riscos que pudessem mitigar os sinistros de roubo de cargas.
“E ao longo dos anos, não só os mecanismos ligados a questões do roubo de carga
foram desenvolvidos, mas também, um gerenciamento que considere a frota,
pessoas e adequação de operações logísticas que pudessem reduzir os sinistros
de acidentes”, pontua.
Porém, mesmo com esta evolução, ele
analisa que o País vem passando por um crescimento na necessidade de transporte
de cargas e, ao mesmo tempo, a mão de obra não está sendo qualificada na mesma
velocidade. “Isto faz com que muitos profissionais nas estradas não tenham o
preparo suficiente para operar caminhões com tecnologia embarcada tão
avançada”, lamenta.
Novas soluções
Na ACE Seguradora a atenção especial tem
sido para o seguro de DSU (Delay in Start-Up). “Introduzido no Brasil de forma
pioneira pela ACE, é um seguro que garante a indenização caso haja atraso na
data marcada para o início das operações de uma determinada obra, que
normalmente envolve o interesse e a participação de diferentes empresas, do
projeto à execução. Este tipo de atraso pode provocar prejuízos enormes,
colocando todo o projeto em sério risco”, conta Mairton Machado de Souza,
vice-presidente de Transportes da companhia.
Segundo ele, a ACE oferece produtos para
todos os operadores da cadeia logística: importadores, exportadores, embarcadores,
transportadores, operadores logísticos, despachantes. “Nós temos expertise para
oferecer coberturas feitas sob medida para estes clientes, adequando os
produtos às necessidades de cada operação e cliente, tanto no que diz respeito
a limites como nas coberturas mais adequadas”, especifica.
No mesmo caminho, a RSA Seguros também
buscou inovação, realizou diversos estudos e identificou oportunidades para
novas soluções. “Dentre elas, um produto de seguro de transportes para
equipamentos especiais, projetos, novas fábricas, usinas eólicas, etc., que
cobre todo o processo de transporte do equipamento. Além disso, uma cobertura
especial dentro dessa solução é o DSU (Delay Start Up) para lucros cessantes,
caso ocorra qualquer dano nos bens transportados que atrase o início das
operações”, informa Dias.
Tecnologia
Vice-presidente de Desenvolvimento de TI e
Serviços da OpenTech, Edimilson José Corrêa comenta que o Brasil conta com alta
tecnologia para o gerenciamento de cargas, porém com algumas peculiaridades
quando comparado a outras economias. “Países como os Estados Unidos, por
exemplo, utilizam o monitoramento/rastreamento mais para gerenciar a logística
do transporte rodoviário, muito mais com foco no in-bound e out-bound das
cargas. O rastreamento com o uso do geoposicionamento é feito através de
rastreadores móveis ou ainda das chamadas ‘iscas’, que também já estão sendo
utilizadas no Brasil, embora ainda em pequena escala. São dispositivos mais
simples que os rastreadores que são colocados estrategicamente nas cargas
transportadas”, diz.
Segundo ele, não há dúvidas que o caminho é atuar preventivamente com análises cada vez mais sofisticadas e precisas. “Por isso, a empresa não para de inovar. Neste ano, por exemplo, em um site backup externo, que aumentará a capacidade e a segurança dos dados gerenciados pela empresa, e na Universidade OpenTech, que utiliza as mais modernas tecnologias digitais e recursos educacionais para treinamento de mão de obra a distância e para auxiliar na capacitação dos clientes na implantação e operacionalização dos softwares e serviços. Projetos estes que consumirão mais de R$ 3 milhões”, cita.
Segundo ele, não há dúvidas que o caminho é atuar preventivamente com análises cada vez mais sofisticadas e precisas. “Por isso, a empresa não para de inovar. Neste ano, por exemplo, em um site backup externo, que aumentará a capacidade e a segurança dos dados gerenciados pela empresa, e na Universidade OpenTech, que utiliza as mais modernas tecnologias digitais e recursos educacionais para treinamento de mão de obra a distância e para auxiliar na capacitação dos clientes na implantação e operacionalização dos softwares e serviços. Projetos estes que consumirão mais de R$ 3 milhões”, cita.
Além disso, a OpenTech criou recentemente
um departamento dedicado exclusivamente à prevenção de perdas e os planos de
expansão da empresa são permanentemente suportados pelo desenvolvimento de
novos produtos e soluções. E, ainda, no planejamento estratégico até 2016, a
OpenTech trabalha para passar dos R$ 38 milhões de faturamento em 2013 para R$
100 milhões.
Box
Alinhar as expectativas
Do lado das corretoras, temos que o
principal desafio da carteira de Transporte é alinhar as expectativas entre os
embarcadores, transportadores e seguradoras. Os embarcadores buscando as
melhores coberturas e preços; os transportadores adequando seus processos para
cumprimento dos Programas de Gerenciamento de Risco e os seguradores
trabalhando para equilibrar os resultados advindos dos prêmios pagos e
sinistros indenizados”, especifica.
Por outro lado, há as oportunidades. Tanto
no seguro do embarcador como também no seguro para os transportadores, no
mercado nacional, e no segmento do seguro de transporte internacional há muitas
oportunidades nas empresas que passaram a importar matéria prima e exportar
seus produtos acabados.
Nota-se que desconsiderando os seguros de
pessoas, saúde, capitalização e DPVAT, o seguro de transportes no Brasil é o
terceiro maior ramo em arrecadação de prêmio. E o potencial é enorme por dois
motivos principais: é um dos poucos seguros obrigatórios por lei (RCTR-C) e o
crescimento de centros de distribuição e operadores logísticos.
É evidente que essa questão da
obrigatoriedade legal do RCTR-C não é um assunto pacífico, que gera disputas
entre os participantes do mercado.
Nós da BDM&A – Barros de Moura,
atuando há muitos anos no setor, estamos aptos a assessorar empresas em suas
necessidades na área de transportes, com soluções inovadoras e práticas.
Box
Box
Visão do regulador
Gerente sênior de Marine da Crawford,
Cesar Alves avalia que entre as principais melhorias no seguro de Transporte no
Brasil, o destaque fica para o avanço no campo da tecnologia. “E tanto da parte
de tecnologia, como de sistema e de informação. Os três são peças fundamentais
na agilidade e segurança no repasse das informações aos nossos clientes em uma
regulação de sinistro”, afirma.
Alves destaca que a agilidade e fluxo da
informação são peças principais e preponderantes num processo de regulação
sinistros. “Pois fomentam o feedback adequado e preciso para os nossos
clientes, contribuindo para uma melhor análise de causa, cobertura, reserva
técnica, regulação e salvados”, diz.
O mesmo vale quando o sinistro for causado
por um terceiro. “Quanto mais rápido agir com uma ação de regresso, mais
vantajoso será para o segurado. Um processo de comunicação bem direcionado e
consistente facilita na obtenção de consenso entre todas as partes envolvidas
e, mesmo quando há diversidade de interesses entre as partes, o quanto antes o
processo for concluído melhor será e a perda será menor”, especifica.
De acordo com ele, outra melhoria tem sido
em relação à cultura do seguro. “As pessoas têm entendido mais como funcionam o
seguro e quebrando o paradigma de que ele foi feito para não se pagar. Este
aprendizado tem facilitado muito a comunicação com todas as partes envolvidas
em um evento e, quando falamos de um evento, nós estamos na pior parte do
processo, pois houve uma perda, um prejuízo”, diz.
Mas ainda há muito a evoluir. “Quanto mais
informações precisas e tecnologia, cada vez mais elevaremos os nossos níveis. E
quanto maior o conhecimento sobre seguros, as conversas e tratativas serão
muito mais claras e transparentes. Também é preciso treinar os funcionários,
deixá-los bem qualificados, o que é um fator preponderante para podermos
minimizar a distância entre segurador, segurado e
regulador”, analisa.
Prêmios arrecadados
- R$ 2,5 bilhões em 2013 (janeiro a
novembro);
- Transporte nacional (de contratação pelo
embarcador) = R$ 746.497.362, com alta de 12,1% em relação a igual período de
2012,
- RCTR-C e RCF-DC (de contratação pelo
transportador) = R$ 942.925.343, com alta de 5,7% em relação a igual período de
2012. (Edição 151)
Carlos
Barros de Moura,
BDM&A
- Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS
Fonte: Revista Cobertura
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