Na indústria do seguro há uma sigla
muito famosa: LOC (localização, ocupação e construção), que quando usada com
critérios adequados, permite uma avaliação dos riscos patrimoniais bastante
apurada.
Como também, sendo bem adaptada,
serve para todos os ramos de seguro.
Porém, como se
dizia antigamente “O mundo gira e a Lusitana roda”, e o novo mundo da
cibernética trouxe para a indústria do seguro, novos desafios.
Agora, para
Construção não podemos mais pensar somente no tipo de material usado nas
edificações e muito menos nos tradicionais sistemas de proteção e prevenção.
Com a
cibernética, furto ou roubo de valores não são mais prevenidos com equipes de
segurança, alarmes, janelas e portas blindadas e outros equipamentos
conhecidos.
Hoje o fato do
vigia dormir na guarita, pode não ter nenhum impacto no caso de centenas de
milhões de qualquer moeda serem furtados.
O pior que além
do dinheiro, são furtadas informações sobre as pessoas e seus hábitos de consumo,
classe de renda e o que mais se quiser saber.
Nos dias atuais,
está muito em moda explodir caixas eletrônicos, sem deixar de lado o
tradicional roubo de cargas e mercadorias em armazéns e rodovias. Além dos
roubos de celulares e tablets nas ruas das grandes cidades.
Como o crime
também foca eficiência e eficácia, a cibernética abriu um enorme mercado para
suas operações.
Há muitos
exemplos disso nos noticiários.
Nos EUA há um que
pode ser considerado um clássico, trata-se da rede varejista THE HOME DEPOT
Inc.
Essa rede,
recentemente, publicou despesas, antes de impostos, de US$ 28 milhões em razão
da recente quebra de sigilo de dados envolvendo clientes, e informou prever que
o custo total será de aproximadamente US$ 34 milhões para o ano.
Ainda mais, a
rede baseada em Atlanta – GA complementou que não sabe quanto a quebra de
sigilo custará ao final.
Home Depot,
nessa informação sobre seus resultados, diz que suas estimativas para 2014 não
incluem previsões sobre outras perdas, também relacionadas com a quebra de
sigilo, por não ser ainda possível estimar.
O comunicado ao
mercado diz que os custos relacionados com os ataques de hackers, ainda carecem
de mais dados, pois podem incluir RESPONSABILIDADES:
·
reembolso às redes de cartões pelas fraudes e, também, o custos de
re-emissão dos cartões;
·
despesas com fraudes e re-emissão dos cartões com sua bandeira;
·
investigações pelo governo e inquéritos;
·
despesas futuras com honorários advocatícios, investigações e
consultoria e
·
despesas extras e investimentos de capital nas despesas para dimimuição
de problemas.
Além disso, o
informe ao mercado destaca que esses custos poderão ter grande impacto nos
resultados financeiros da companhia no 4ª trimestre de 2014 e nos futuros
períodos.
Home Depot informou
que o malware, feito sob medida, para o ataque, colocou em risco informações de
quase 56 milhões de cartões.
A rede tem US$ 105 milhoes de seguro para riscos cibernéticos, segundo
fontes do mercado.
Na indústria do
seguro há muita controvérsia, pois existe uma percepção forte que o risco
cibernético será uma das maiores preocupações dos administradores das empresas.
Alguns
seguradores estão nervosos com o tamanho potencial das perdas nesse novo
mercado.
Por isso, vários
outros querem ficar fora dele.
Como o distinto público, aquele que pode ser vítima de crimes cibérnitos,
vai vivenciar essa nova realidade?
Ainda não há respostas.
Mas, há uma certeza na indústria do seguro, o velho e bom LOC, vai continuar
expandindo seu raio de ação.
Carlos Barros de Moura,
Publicação original JORNAL NACIONAL DE SEGUROS
Nº 268 DEZEMBRO 2014
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS
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