quinta-feira, 3 de maio de 2012
IRB GANHARÁ ESPAÇO NA ARGENTINA
IRB ganhará espaço na Argentina
Jornal do Commercio RJ/RJ
Quinta-feira, 03 de maio de 2012
FÁBIO TEIXEIRA
O IRB-Brasil Re se prepara para ganhar espaço na Argentina, mercado de quase R$ 2 bilhões em prêmios de resseguro. A empresa, que abriu escritório em Buenos Aires no ano passado, entrará na disputa pela renovação de cerca de 80% dos contratos de resseguro argentinos, a ser realizada julho.
Segundo o presidente da resseguradora brasileira, Leonardo Paixão, a empresa está bem posicionada para ampliar sua participação nos negócios naquele país, por conta de mudanças nas leis restringiram a participação de grupos resseguradores outros países.
Ninguém sabe como o mercado vai se comportar, mas o que temos de concreto é que com mudança temos apenas dois resseguradores locais de peso nós e a Mapfre", afirmou o presidente do IRB, em visita ao Jornal do Commercio.
A nova lei, publicada na Argentina ano passado, proíbe seguradoras de contratar resseguros com empresas que não tenham participação de capital nacional e não estejam instaladas país.
Na ocasião, a medida foi justificada pelo governo argentino como forma de criar um mercado ressegurador no país.
A busca por aumento nos negócios na Argentina faz parte da estratégia da resseguradora de se internacionalizar. Hoje, 96% do faturamento do IRB vem do Brasil, mas Paixão espera que este padrão comece a mudar a partir deste ano, primeiro com a conquista de contratos na Argentina e também, no longo prazo, com expansão para países africanos e para o restante da América Latina.
Riscos
Embora não fale de números, o executivo estima que dentro de uma década cerca de 50% do lucro da companhia venha do exterior. A mudança no perfil permitirá a companhia reduzir os riscos de ter vários contratos ligados a um único país. "Mesmo no caso do Brasil, onde desastres naturais são raros, considero que temos uma concentração muito grande para uma resseguradora", avalia Paixão.
A internacionalização também está por trás da aquisição de participação de 4,8% na resseguradora Africa Re, que atua em diversos países africanos. As ações, adquiridas quando a africana realizou aumento de capital, servirão como porta de entrada para o IRB no continente, que tem um mercado de resseguros estimado em R$ 5,7 bilhões, do mesmo tamanho do brasileiro. O entendimento entre as duas empresas, segundo Paixão, é de troca de experiências, com a Africa Re ensinando como o mercado local funciona. Futuramente o IRB faria o mesmo pela Africa Re.
Um dos motores para a expansão do IRB no continente africano deverá ser a venda de resseguros agrícolas. O setor já representa uma fatia expressiva do faturamento da empresa 15% do total, de acordo com o balanço de 2011.
"Se trata de uma vocação nossa", explica Paixão. O problema, de acordo com o executivo, é a falta de financiamento e tecnologia para o setor em diversos países. "O Brasil tem feito o que é possível por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para ajudar estes países no que diz respeito a financiamento e expertise tecnológico, e acho que podemos contribuir neste processo com a cobertura de seguros."
Para Paixão, as perspectivas de expansão neste e outros mercados emergentes são boas também, em parte, por conta do enfraquecimento de resseguradoras estrangeiras. As empresas sofreram em 2011, ano considerado ruim para o ramos devido ao alto número de desastres naturais, e vivem a instabilidade da crise internacional, por terem adquirindo papéis de governos europeus.
Abertura de Capital
O processo de reestruturação acionária pelo qual passa IRB deverá terminar até o final do segundo semestre, diz o presidente da instituição. A operação visa a desestatização da empresa, que venderá ações da União para funcionários, abrindo a possibilidade de abertura de capital na Bolsa.
Segundo Paixão, porém, ainda é prematuro falar a respeito da operação. "Há muito que podemos fazer nos próximos dois, três anos para aprimorar nossos negócios. Depois deste ciclo, acredito que estaremos em uma condição melhor de abertura de capital."
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