quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

“NOTAS SOBRE GESTÃO DE RISCOS E SEGUROS”

Sempre que uma tragédia acontece, surge na sociedade uma onda de ações “precisamos acabar com isso”, infelizmente essa onda passa e tudo continua como antes. Por isso, vale a pena esta pequena fábula: “A RATOEIRA" Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: "-Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!! " A galinha, disse: "- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda." O rato foi até o porco e lhe disse: "- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !!!" "- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces." O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse: "- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!" Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia sido pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa e a cobra picou a mulher... O fazendeiro levou-a imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo. MORAL: Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se: "Quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos." (Autor Desconhecido), mas era muito sábio, com certeza. Felizmente, há modernas ferramentas para implantação de ações gerenciais visando mitigar riscos e suas perdas. Vamos percorrer alguns conceitos básicos para atingirmos nossos objetivos: RISCO Risco é incerteza. Risco envolve a possibilidade de perdas e, portanto, gera insegurança. A principal função do seguro é substituir a incerteza pela certeza nas atividades pessoais e nos negócios. Não podemos afirmar que seguro remova o risco do infortúnio, pois o simples fato de um bem estar segurado não garante que ele não será perdido, danificado ou destruído. O que o seguro efetivamente proporciona, é uma compensação parcial ou total no evento de um bem segurado ser perdido, danificado ou destruído, ou se ocorrer um fato fortuito que estabeleça uma responsabilidade ou um dano corporal. Incerteza ou risco representam insegurança, e todas as pessoas têm um desejo natural de terem certo grau de segurança na vida pessoal e nos seus negócios. Um valor importante do seguro é permitir aos segurados eliminarem uma preocupação constante sobre perdas de vários tipos. Para muitas pessoas, incertezas são um tipo de “dor mental”. Logo, paz de espírito pode ser considerada um benefício intangível proporcionado pelo seguro. Nós podemos, na prática, distinguir entre o que pode ser chamado de incerteza subjetiva ou objetiva. Uma pessoa pode estar exposta a uma perda concreta e não ter consciência dessa situação, mas quando passa a ser consciente, não há mais incerteza envolvida. Isso não altera o fato objetivo de que ela exista. Uma parte considerável do trabalho de quem vende seguro é fazer as pessoas ficarem conscientes das perdas a que estão expostas, para que possam de uma maneira inteligente determinar de quais perdas querem proteger-se através do seguro. Na prática, podemos dizer que as pessoas são “seguro-conscientes”, quando elas estão atentas às principais incertezas que enfrentam. Incerteza é um fator psicológico no verdadeiro significado da palavra, quanto mais consciente a pessoa for, mais perturbada ela fica pela existência da incerteza, assim, maior será sua motivação para contratar seguro. Nós vemos isso acontecer quando as pessoas correm para contratar seguro por ocasião da morte de um parente próximo ou de um roubo ou incêndio nas vizinhanças. Do ponto de vista objetivo, a incerteza permanece a mesma, mas seu grau nas mentes das pessoas envolvidas decresce substancialmente. Diz-se freqüentemente que seguro “elimina o risco”, quando um segurado paga o prêmio, ele pode ser reembolsado se sofrer um tipo de perda prevista na apólice. Assumindo que ele seja capaz de obter um seguro total (100%), teoricamente não seria problema para o segurado se seu bem fosse destruído, uma vez que ele receberia o valor integral do bem da seguradora. Em verdade, isso é irreal, porque quase sempre não é possível segurar um bem por seu valor integral. Além disso, o segurado perderia o uso do bem e talvez a continuidade do seu negócio, antes que tal bem fosse reposto. Na teoria, risco é mesma coisa que incerteza, porque incerteza compreende a possibilidade de um bem ser destruído. Se, por exemplo, é certo que um bem será destruído, não há risco, uma vez que a destruição é certa. Como também, se o bem não pode ser destruído, então novamente, não há risco. É importante registrar que o termo “risco” é usado com 2 significados adicionais no setor de seguros. O primeiro se refere à pessoa ou bem que é objeto do seguro. Pois, se refere a uma pessoa, a uma casa, a um carro, etc., como sendo um “bom risco” ou um “mau risco”. Também se fala de uma “quantidade de riscos” quando se trata de uma quantidade de objetos ou pessoas que são segurados. O outro significado vem da observação que feita ao dizer que uma pessoa está “arriscando” sua vida ou seus bens numa atividade ou projeto perigoso. A CHANCE DE PERDA A chance de perda pode ser definida como a probabilidade relativa de um determinado bem ser destruído. Quanto maior a chance de perda maior o interesse da pessoa em contratar seguro. Por isso, há um grande número de carros segurados, porque muitos carros são roubados, furtados ou sofrem colisões todos os anos. Quando a chance de perda é muito pequena, a tendência é ignorar o risco e não contratar seguro. Se é certo que o bem será destruído, a chance de perda é 100%, se o bem não pode ser destruído, a chance de perda é zero. A chance de perda pode, para um entendimento mais rápido, ser expressa como uma fração, na qual o numerador representa o número de vezes que se espera que o evento ocorra e o denominador o número de vezes que o evento pode possivelmente ocorrer. Por exemplo, se 1000 casas estão expostas ao risco de incêndio e para 5 delas se espera que peguem fogo a cada ano, podemos dizer que a chance de perda é 5/1000. A determinação pelas pessoas de suas chances de perda não é científica, mas baseada na experiência pessoal, conselhos dos amigos e práticas semelhantes. As companhias de seguros geralmente consideram impossível segurar eventos que tendem a ocorrer numa grande percentagem de casos, como de 25% a 50% do total de riscos em aberto. Para, entender melhor, basta acompanhar o que acontece com o seguro de roubo de certos tipos de cargas (transportes). PERIGOS O perigo é a causa real de uma perda, ou seja, o agente produtor da perda, que pode ser incêndio, furto, vendaval, explosão, tumulto, ou outras inúmeras causas. Se um perigo é coberto ou não pela apólice, só poderemos saber analisando o texto da apólice. Pela observação da ocorrência de acidentes, tais como incêndios ou mortes, as pessoas tendem a pensar que eles são inteiramente imprevisíveis. Porém, a imprevisibilidade é devida ao fato do risco ser considerado a partir da perspectiva da pessoa. Um risco como “morte” pode ser previsto com um grande grau de precisão quando se trabalha com um grande grupo de riscos homogêneos. Quando um grupo é considerado, o que é incerto para uma pessoa passa a ser relativamente certo para o grupo. FATORES DE RISCO Podemos definir fatores de risco como aqueles que geram incerteza para uma dada situação. Dos numerosos fatores a que pessoas e bens estão expostos, alguns podem resultar em perdas mais que outros. O risco de perda para uma pessoa ou bem pode ser considerado a partir do número de fatores existentes. Por exemplo, uma pessoa está não só exposta ao risco de morte, mas também ao risco de perdas pela velhice, acidentes, doenças, desemprego, etc. É comum dizer-se que “fator de risco” é algo que pode conceitualmente trazer uma perda, enquanto perigo é usado para definir o fator que efetivamente causa a perda. Outra maneira de se entender “fatores de risco” é registrá-los como aqueles, que contribuem para a possibilidade de perda, por exemplo, a existência de um prédio cheio de trapos, papel e outros refugos contribui para a possibilidade de uma perda por incêndio, embora a perda possa realmente ser provocada por algum outro perigo, como um raio. PERDA As vendas de seguros são muito motivadas, porque as pessoas são ansiosas para evitar perdas. É um fato psicológico as pessoas serem geralmente mais interessadas em evitar uma perda que realizar um ganho. Perda pode ser definida como uma separação não intencional de algo de valor. O furto de um carro é obviamente uma perda, desde que o dono não tenha intencionalmente se separado do seu bem. Há outros tipos de perdas além das perdas materiais. Por exemplo, uma pessoa que machuque outra ao dirigir seu carro, em sendo responsável pelos danos, perderá patrimônio tanto quanto quem tem a posse de um bem material. Da mesma maneira, que a perda de valor de mercado de bens é uma perda tão real quanto a perda de um bem material. De modo geral, seguro pode cobrir as perdas materiais de bens e também a ocorrência de responsabilidade civil. É praticamente impossível se contratar seguro para cobrir contingências, como a queda de preço de mercado de mercadorias ou queda da cotação de ações na Bolsa. A importância de um risco em particular seja de negócios ou pessoal, depende do montante de perda possível. Quanto maior a perda potencial, mais importante o risco. Naturalmente, o efeito de uma perda para uma pessoa dependerá de fatores tais como seus ativos e sua renda. Uma pessoa rica pode não sentir a necessidade de segurar certos riscos que para outras é desejável segurar. Para determinar quais riscos segurar, as pessoas podem usar um conceito denominado “expectativa de perda” ou “valor do risco”. Isso pode ser calculando pela multiplicação: Montante da perda possível vezes a probabilidade da perda ocorrer. Assim temos: Se um automóvel vale R$ 10.000,00 e a probabilidade de perda é 10%, a expectativa de perda é R$ 1.000,00. O custo do seguro dependerá naturalmente da expectativa de perda, uma vez que os prêmios estão diretamente relacionados com as perdas/indenizações que a seguradora paga. Nas situações em que a ocorrência de uma perda é absolutamente certa, o método prático é a acumulação de um fundo de reserva, principalmente quando tal ocorrência é esperada para algum tempo no futuro. Por exemplo, se a vida útil de uma máquina é estimada em 5 anos, é simples acumular recursos para a substituição da máquina ao final do período. Seguro, obviamente, não pode ser usado para cobrir obsolescência, porque isso não é um risco. Seguro tem grande valor, quando a perda pode ocorrer a qualquer momento. Por exemplo, não existe lógica em determinar quando uma pessoa morrerá num dado período de um ano. A morte pode ocorrer tanto em Janeiro como em Dezembro. Então, o processo de acumular fundos ou reservas é impraticável quando aplicado aos fatores de risco da morte. Por isso, o processo mais prático é acumular reservas instantaneamente, através de um seguro de vida. EXPOSIÇÃO A PERDAS Uma “Exposição a Perda” é uma condição de suscetibilidade ou vulnerabilidade a perdas, ou seja, a possibilidade de perda. Uma exposição a perda existe se a possibilidade de perda ocorrer e se tal ocorrência puder causar uma perda financeira. É a possibilidade de uma perda financeira que cria insegurança e a necessidade por seguro. Toda exposição a perdas tem 3 elementos: • O item sujeito a perda • Os perigos (causas da perda) ou forças que possam causar a perda e • O impacto financeiro potencial da perda. TIPOS DE EXPOSIÇÃO A PERDAS • Perdas Materiais – que também podem levar a perdas de renda líquida: * uma redução de renda/receitas * um aumento de despesas • Perdas por Responsabilidade – quando alguém é processado por causar prejuízos a terceiros • Perdas Pessoais – morte, incapacidade, invalidez ou desemprego TÉCNICAS PARA TRATAR AS EXPOSIÇÕES A PERDAS • Evitar – quando possível é a técnica mais eficaz, isso pode acontecer quando pessoas físicas ou jurídicas evitam perdas potenciais ao decidirem não terem certos bens ou se dedicarem a certas atividades. • Controle de Perdas – as perdas podem ser controladas através de: • Prevenção de Perdas (diminuindo a freqüência) • Redução de Perdas (diminuindo a severidade) ou • Uma combinação das duas alternativas. • Retenção – mantendo ou absorvendo o todo ou parte do impacto financeiro de uma perda. • Transferência para outrem que não SEGURO – isso acontece quando a exposição a perda de uma pessoa seja física ou jurídica é assumida por outra pessoa, normalmente através de um contrato.. • SEGURO – é um sistema que permite a uma pessoa seja física ou jurídica transferir sua exposição a perda para uma companhia de seguros que indeniza o segurado pelas perdas cobertas e cuida da divisão dos custos das perdas entre todos os segurados. Assim, os elementos chaves desse método de tratamento das exposições a perdas são transferência e divisão de custos. Para a divisão de custo contamos com a ATUARIA, para definição dos padrões, que trabalha com duas medidas básicas: 1. A probabilidade de um evento ocorrer e 2. A incerteza relacionada com a ocorrência ou não do evento. CONCLUSÃO Nos tempos atuais de constantes mudanças e avanços tecnológicos e incorporação de importantes contingentes populacionais ao mundo do consumo, não há espaço para amadorismo ou improvisação na gestão de riscos e seguros. Logo há urgência em aprimorar o gerenciamento de riscos, aumentar a gestão de informações, os recursos de reporte e análise e as habilidades organizacionais, para integrar dados pelas várias áreas das organizações. Isso, significa pesados investimentos em pessoas para cumprir com o aumento da demanda de informações e controles pelo público em geral, pelos stakeholders e pelas autoridades reguladoras. Some-se a isso, os desafios com proteção das informações vitais para a segurança das organizações e de seus clientes. Não é necessário ser uma grande organização para ter sistemas de gestão de riscos e seguros, basta ter disciplina e vontade. Fevereiro 2013 CARLOS BARROS DE MOURA Graduado em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Fez curso de planejamento econômico na Universidade de Harvard (EUA). Filiado ao CRA – SP desde 09/10/1973. É Presidente da Barros de Moura & Associados, Corretagem de Seguros Ltda. Tem mais de 35 anos de experiência no mercado de seguros como executivo de empresas seguradoras e corretoras e como consultor. Diretor Secretário da APTS, membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência e Diretor da Associação Comercial de São Paulo

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