Aplicação com rentabilidade garantida é considerada um tesouro
por especialistas, mas seguradoras tentam convencer clientes do contrário.
Alguns
planos de previdência privada adquiridos entre o final da década de 90 e início
dos anos 2000 são considerados verdadeiras relíquias por especialistas.
Mesmo
diante de um marketing agressivo da instituição financeira, a recomendação dos consultores
é não abandonar esse tipo de plano jamais (veja quando vale a pena abandonar o
plano de previdência).
São
aplicações que prometem renda mensal até a morte do beneficiário, oferecem
rentabilidades garantidas de 6% ao ano mais a variação da inflação e que chegam
a distribuir ainda 75% do rendimento que ultrapassar o retorno básico
garantido.
Um
exemplo é o plano gerador de benefícios IGPM 6, da Porto Seguro, que tem
rendimento garantido pela instituição financeira e foi criado em 2000. Apenas
em 2012, o fundo registrou rentabilidade de 33%.
Um
dos beneficiários desse fundo de previdência privada conta que apenas de março
a maio deste ano o plano chegou a registrar juros e correções de 9 mil reais
sobre um saldo de cerca de 200 mil reais, o que equivale a um rendimento de
cerca de 1,5% ao mês.
Esses
planos de previdência antigos não aceitam mais novos clientes, o que os torna
ainda mais valiosos.
A
alta rentabilidade é explicada pelo fato desses planos terem sido criados em um
cenário de juros altos. A taxa básica de juros (Selic), que serve como
referência para a rentabilidade dos títulos públicos que estão incluídos nos
fundos de previdência privada, chegou a atingir 26,32% em 2003.
Naquela
época, muitas seguradoras venderam planos de previdência com benefício
garantido por acreditarem que os juros continuariam altos por muito tempo, por
isso muitos pensavam que não havia problema em garantir esses valores. A
rentabilidade era maior.
Hoje,
além de os novos planos não oferecerem rentabilidade garantida, o retorno das
aplicações é menor, em média de 4%, segundo Newton Conde, professor da Fipecafi
(Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).
Ter
uma garantia de 6% acima da inflação, o que corresponde a cerca de 12%
considerando a inflação atual, significa, portanto, que o beneficiário desse
plano de previdência antigo está ganhando, em média, duas vezes mais do que a
maioria dos aplicadores (compare os investimentos mais seguros).
Problemão
para as empresas
As
seguradoras erraram a mão. A queda dos juros no país acabou se prolongando nos
últimos dez anos até atingir o menor patamar da história, o nível de 7,25%, em
março do ano passado.
Com
juros menores, a rentabilidade dos títulos públicos foi reduzida. Aplicações
que ofereciam rentabilidade de 12% passaram a render 5,5%.
Hoje,
a taxa básica de juros (Selic) voltou a subir para 11%, mas ainda está bem
abaixo do patamar que costumava ficar há dez anos. Com a obrigação de garantir
em média 12% nos planos antigos, taxa superior à Selic atual, as seguradoras
não tem conseguido fechar a conta.
Nesse
cenário, instituições financeiras insistem que os beneficiários dos planos
antigos mudem de aplicação já que elas têm sofrido para entregar a
rentabilidade garantida lá atrás, dizem os especialistas.
Elas argumentam que o fundo pode não atingir mais o retorno prometido anteriormente, mas esse não é um problema do cliente.
Elas argumentam que o fundo pode não atingir mais o retorno prometido anteriormente, mas esse não é um problema do cliente.
Caso
não consigam pagar o prometido, no limite os valores podem ter de sair do
próprio bolso dos sócios da seguradora, e se não fizerem isso, as instituições
financeiras podem sofrer punições.
Para
incentivar os beneficiários a abandonarem os planos de previdência antigos, as
seguradoras podem destacar outra aplicação com taxas reduzidas de administração
e até não cobrar a taxa de carregamento (que é descontada sobre as
contribuições mensais).
Newton
Conde da Fipecafi conta que muitos beneficiários acabam caindo na lábia das
instituições financeiras. "Há quem opte por se livrar do pagamento de uma
taxa de 40 reais por mês e perde um investimento garantido no futuro”, diz.
Entre
os argumentos para a migração do plano, também pode ser apontada a falta de
retorno do fundo nos últimos anos. Mas, por mais assustadores que sejam os
prejuízos, a seguradora continua com a obrigação de pagar o que foi garantido.
Na
maioria esmagadora dos casos, portanto, não vale a pena deixar o plano. Por
mais que a proposta feita pela seguradora pareça atraente, busque se informar
com especialistas antes de tomar qualquer decisão.
FONTE: Marília Almeida, EXAME.COM.BR
COMPILAÇÃO:
Carlos Barros de Moura,
BDM&A - Barros de Moura EXPERTISE EM SEGUROS
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